O desafio do agronegócio
Minas Gerais está prestes a registrar um novo marco no agronegócio. Projeções recentes indicam que o Valor Bruto da Produção (VBP) Agropecuária do Estado vai atingir o valor recorde de R$ 168,1 bilhões neste ano. O montante representa crescimento de 13,8% na comparação com o ano anterior, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Somente a agricultura responde por R$ 113,4 bilhões em valor de produção, com destaque para culturas tradicionais como café, soja e milho. Com esse desempenho, Minas deve responder por 11,9% do VBP nacional, estimado em R$ 1,4 trilhão.
Os motivos para comemorar são muitos, porém o bom momento do agronegócio não pode levar a uma acomodação por parte da sociedade brasileira. É justamente nessa trajetória de crescimento que devem ser reforçadas as políticas de apoio ao setor. Inovação, crédito e assistência técnica precisam estar na pauta de discussão para sustentar a continuidade do crescimento do setor agropecuário em Minas e no País.
Os desafios são muitos e, talvez, o maior deles seja a crise climática enfrentada pelo mundo. Em Minas, algumas regiões já convivem com regimes irregulares de chuvas e intensificação de eventos extremos, como as chuvas de granizo que atingiram plantações de café no Sul do Estado, afetando os resultados da safra.
Isso representa risco concreto para lavouras e criações e, por consequência, para o sustento de milhares de trabalhadores rurais e para a economia estadual como um todo, considerando a grande importância da agropecuária para o nosso Produto Interno Bruto (PIB).
Diante desse cenário, investir apenas em produtividade e volume pode ser uma ilusão de curto prazo. É urgente combinar o incentivo à produção com estratégias de longo prazo, com a adoção de técnicas agrícolas resilientes, capazes de se adaptar às mudanças do clima. Além disso, é preciso que práticas sustentáveis sejam cada vez mais difundidas entre os produtores rurais. A mitigação dos impactos da atividade é crucial para a continuidade desse crescimento pujante.
Também é preciso fortalecer a proteção financeira para o agronegócio. É importante lembrar que o setor não é formado apenas por grandes fazendas. Boa parte da produção agropecuária vem do pequeno produtor, da agricultura familiar, perfil mais suscetível aos impactos negativos das mudanças climáticas. Linhas de financiamento, garantias de crédito e seguros devem ser desenvolvidos considerando esse cenário.
É com essa consciência que o futuro do agronegócio mineiro dependerá de decisões que combinem produtividade, sustentabilidade e resiliência. Minas Gerais tem a chance de transformar o bom momento atual em base estável para décadas de prosperidade.
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