Editorial

Faltando explicações

Reajuste do preço do petróleo não se traduz em benefício para os brasileiros
Faltando explicações
Crédito: Alessandro Carvalho

Apesar das tensões e incertezas no plano externo, as cotações do petróleo estão em baixa no momento, fato que, conforme noticiado, levou a Petrobras a anunciar no início do mês redução de preços de combustíveis, com o valor médio cobrado nas refinarias caindo 5,2%. Em tese, um benefício para os consumidores e algum alívio para a tarefa sempre delicada de manter preços sob controle. Mas na prática a teoria pode ser diferente, situação com a qual os brasileiros, mesmo que ainda com alguma dose de conformismo, aprenderam a conviver.

Se a lógica mais elementar ajudaria a fazer crer que o reajuste nas refinarias chegaria às bombas, portanto sendo replicado para o consumidor final, a realidade é diferente. Porque o repasse, conforme já cuidaram de fazer saber, depende das distribuidoras e da rede de postos, além do fato de que, especificamente no caso da gasolina, há que considerar também que o combustível chega ao consumidor “batizado” com etanol, cujo preço exibe tendência de alta. Talvez apenas desculpas para quem não tem como deixar de lembrar de que quando o movimento é contrário, de aumento nas refinarias, o reajuste a maior chega instantaneamente às bombas, quase sempre antes mesmo de ser aplicado no ponto inicial.

E enquanto não chegam explicações mais plausíveis, além de elementarmente consistentes, traduzindo devido respeito aos consumidores, caberia recordar também a impertinente paridade com os preços internacionais. Lembrando que estes são ditados, e em primeiríssimo lugar, pelos interesses da poderosa indústria do petróleo, a partir dos países mais ricos do planeta e não exatamente pelos produtores, ainda que se tente fazer crer o contrário. E não faz o menor sentido que o Brasil entre neste jogo, mesmo que em momento de aparente vantagem local, tendo em conta o volume de sua produção de óleo cru e a existência de excedentes que deveriam ser as verdadeiras referências para a precificação.

Tudo para lembrar também que o Brasil é dono de reservas de petróleo que figuram ao lado das maiores no planeta, é autossuficiente na produção de óleo, mas ainda depende da importação de refinados, a verdadeira vulnerabilidade a ser tratada com mais atenção. Tendo em conta os mais altos interesses do País e sua ambição de alcançar posição de maior destaque no plano da economia global, estas sim são condições a observar em regime de atenção plena. Tudo sem perder de vista o entendimento de que o País lutou tanto para alcançar autossuficiência – e independência – no que toca ao suprimento de petróleo também para garantir aos consumidores locais as melhores condições de acesso ao produto.

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