Freios de arrumação
Observadores atentos – e acreditados – da política internacional já assinalaram que o processo de contenção do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, só será bem-sucedido se for intestino. Vale dizer, se as instituições que deram consistência e estabilidade ao sistema político do país afinal perceberem que não há mais espaço para concessões que, a persistirem, serão danosas em primeiro lugar para o próprio país. Trata-se, afinal, de apagar esforços que vêm há mais de 70 anos, precisamente quando o final da Segunda Guerra deixou como principal resultado justamente a ascensão dos Estados Unidos à condição de líder do mundo ocidental. Tudo com o suporte de uma muitíssima bem estruturada máquina de propaganda destinada a fazer crer que, mais que líder, os Estados Unidos eram campeões da democracia, da liberdade, enfim do conjunto de ideais e valores a partir dos quais o futuro da humanidade seria melhor construído.
Tudo o que aconteceu a partir do ano passado evidentemente mudou, e não foi pouco, a direção dos ventos, a rigor determinando o fim do castelo construído à sombra do que seria o ideal de um “mundo livre”. E tudo porque valores dados como definitivos e inegociáveis foram postos de lado, substituídos pela ideia de que é legítimo que os Estados Unidos alcancem seus objetivos “de uma maneira ou de outra” como disse o presidente Trump, fazendo saber que quando a intimidação não produzisse resultados, a força bruta, explícita, seria a alternativa à mão.
Pode ser que a decisão da Suprema Corte na semana passada, apontando como ilegais, porque não autorizadas previamente pelo Congresso, algumas das tarifas impostas às importações do país, seja – e até agora – o sinal mais forte de que aos poucos os freios de arrumação estarão sendo ativados. Um alívio, ainda que permaneçam incertezas de proporções que há pouco não seriam sequer cogitadas. Assim, e por horas, trata-se apenas de avaliar cada um dos movimentos, com o alívio aparente de saber que o Brasil poderá figurar entre os mais beneficiados com o refluxo.
Sobretudo, cabe entender que a antiga ordem econômica, assim como as ilusões de que teria colaboração e entendimento entre suas principais marcas, está apagada. O que significa, em termos pragmáticos e conforme a Federação das Indústrias de Minas Gerais já pontuou, que o momento não apaga as incertezas, fazendo da cautela a melhor postura. Da mesma forma que a multiplicação de esforços que reduzam ao mínimo possível a dependência externa, fazendo da autonomia, em especial nos campos mais sensíveis, objetivo principal das políticas públicas.
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