A lógica do tacape
No ano passado os Estados Unidos mobilizaram o que de mais sofisticado existe em seu arsenal para um ataque ao Irã, tendo como objetivo destruir seu programa nuclear. Uma operação cirúrgica, conforme relatos da época, apontada como plenamente exitosa e, como foi dito, bastante para reduzir a pó as pretensões iranianas. Era para o assunto ser dado como encerrado, mas não foi o que aconteceu. Mais uma vez armas de grosso calibre estão apontadas para o país e mais uma vez o argumento é o de que a “ameaça nuclear” precisa ser detida.
Guerras, quaisquer delas e sobretudo na escala atual, bem poderiam ser tomadas como o melhor símbolo da falência da condição humana, se entendida como assentada sobre valores mais verdadeiros. Mas a existência de arsenais nucleares cuja capacidade é bastante para pôr fim à existência, vai muitíssimo além, dando plena razão aos que entendem que estancar a escalada da insanidade deveria ser prioridade absoluta, algo como reflexo elementar do instinto de sobrevivência. Sem a menor dúvida, porém não da maneira como o delicado tema vem sendo apresentado e tratado. Ou o equivalente a, simplesmente, congelar o poder nas mãos do chamado “Clube Atômico”, dando assim como aceitável uma correlação de forças que também não faz sentido algum.
Para ser legítima e, assim, digna de todos os aplausos, a empreitada deveria ter começado, e já faz bom tempo, pelo desmantelamento dos arsenais das grandes potências, assim como dos equipamentos que possibilitam sua utilização. Só depois de cumprida essa etapa, garantido também que novos artefatos não seriam construídos por ninguém, o pretendido congelamento seria legitimado e com sanções, aí sim, sem limites para eventuais infratores. Com aval e alívio para toda a humanidade.
Fazer de outra forma, e como está acontecendo, significa perpetuar um status quo conveniente apenas para quem já tem o poder militar que assegura o poder econômico e congela as pretensões de quem possa pretender romper esse círculo vicioso. Uma posição de força, e força bruta, que é também descabida e está muitíssimo bem demonstrada nos reiterados arroubos de quem entende ser legítimo e aceitável garantir seus interesses e sua vontade “de uma forma ou de outra”, restando a submissão como única alternativa.
A lógica da força, do tacape ou das bombas atômicas, absolutamente não faz sentido e reencontrar a sanidade e o verdadeiro equilíbrio continuará sendo impossível enquanto o mundo permanecer dividido entre quem tem o poder e quem deve se submeter.
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