Longe do final feliz
Parece fartar até a imaginação para que o final da novela possa ser abreviado. Estamos falando do custo do crédito no país e do endividamento de pessoas físicas que parece ter alcançado ponto critico. Para até já ser apontado em Brasília, em alguns dos mais bem acarpetados gabinetes da cidade, como fator preponderante para desaprovação do governo e o não reconhecimento dos pontos positivos da atual política econômica, má vontade que pode gerar resultados indesejados na votação de outubro próximo. É nesse contexto precisamente que mais um programa de renegociação de dívidas está sendo gestado e deverá ser conhecido nos próximos 10 dias.
Mais uma vez não parece difícil perceber nada novo, nada também que não possa ser confundido com aquelas benesses que costumam brotar precisamente quando a aproximação de eleições faz surgir diferenciada sensibilidade. Para enxergar, como no caso presente, a perversidade do crédito ofertado especialmente às camadas que, mais pobres, não têm como escapar da armadilha em que se transformam cartões de crédito, cheque especial e o crédito especial, justamente o foco das atenções presentemente.
Porque na avaliação tanto do governo quanto dos bancos estas são as linhas mais problemáticas, apontadas como causa do excessivo endividamento da população e do comprometimento da renda familiar.
Com toda certeza algo muito errado, muitíssimo errado e não necessariamente porque as taxas cobradas podem ultrapassar até 400% ao ano, nível que faria corar até mesmo o mais agressivo dos agiotas que, até bem pouco tempo, não ousaria sequer imaginar tal situação. Na realidade algo tão absurdo, flagrantemente abusivo, que o próprio ministro da Fazenda já reconhece que os descontos em discussão poderão chegar a 80% da dívida, com possibilidade de renegociação também para os 20% restantes. Como está dito na abertura deste comentário, nada, absolutamente nada, de novo, nada que não tenha sido feito antes na forma de alívio apenas temporário e sem que o vicio de origem seja sequer considerado.
Para lembrar também que num passado que não se perdeu no tempo, a administração federal chegou a considerar a possibilidade de impor aos bancos públicos, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, que têm peso relevante no mercado, algum tipo de moderação. Para que assim funcionassem como moderadores, ajudando a regular o mercado, o que não aconteceu evidentemente porque os interesses que seriam contrariados foram mais fortes.
E assim prossegue a novela, ao que tudo faz crer ainda muito distante de um final feliz.
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