As marcas de Minas
Somos, os mineiros, conhecidos pela simpatia, pelo acolhimento sempre generoso aos forasteiros. Cafezinho quente e pão de queijo, se possível servidos próximo a um fogão a lenha, viraram símbolos da hospitalidade mineira. Pode ser bom, atributos positivos e assim percebidos, mas que estão longe de traduzir tudo o que somos ou do potencial que permanece latente. Trata-se afinal, e como foi dito na quinta-feira (5) durante o Fórum de Líderes, que busca discutir como Minas Gerais quer, ou deve, se posicionar no Brasil e no mundo nas próximas décadas. E nesse contexto qual é, afinal, a marca de Minas e como transformá-la em ativo de desenvolvimento econômico, científico e cultural?
Minas Gerais claramente tem perdido espaço no contexto nacional, perdeu também o protagonismo que já foi uma de suas marcas. Como afinal deixar de lembrar que Itamar Franco chegou à Presidência da República em 1992, o último dos mineiros a ocupar o cargo, e logo apontado como chefe da “República do pão de queijo”? Não era carinho, não era reverência, tampouco reconhecimento. Preconceito repetido quando o também mineiro Paulo Haddad foi indicado para ministro da Fazenda e a capa da então poderosa revista Veja o apontou como “ilustre desconhecido”. O mesmo viés que ainda hoje tenta creditar ao paulista Fernando Henrique Cardoso as glórias do Plano Real.
Essencialmente quando falamos da marca de Minas é nesta direção que desejamos apontar, chamando atenção para os aspectos negativos dessa condição e reclamando mudanças que, por evidente, devem partir da própria atitude dos mineiros. Sem que seja posta de lado a simpatia que nos é atribuída e tudo o mais que a ela tem sido associado e sim para fazer saber que somos muito mais. Estamos apontando o caminho natural para que Minas Gerais, que já foi sede dos maiores bancos brasileiros e centro do sistema financeiro nacional recupere os espaços perdidos. Para lembrar entre tantos outros exemplos a importância de sua indústria, abrigo do segundo maior polo automotivo brasileiro, para chamar atenção para a importância de suas universidades e centros de pesquisa, para afinal destacar avanços e realizações que não são bem percebidos.
Definitivamente não desejamos continuar sendo apenas a terra do pão de queijo e tal impulso é precisamente o que reclama a definição, ou redefinição, da imagem e, consequentemente, também da marca de Minas Gerais. Precisamente aquela que aponta para o futuro, para realizações e protagonismo que não podem continuar remetendo exclusivamente a glórias pretéritas.
Ouça a rádio de Minas