E o mundo não acabou
Na perspectiva dos resultados na economia, o ano de 2025 terminou, para o Brasil, com saldo bastante positivo, resultados a rigor ofuscados apenas pela continuidade do desequilíbrio fiscal. Fatores internos e externos, capazes de trazer ventania indesejada conforme avaliações que não se confirmaram, foram superados, chamando atenção, até pelo simbolismo, a balança comercial. O País terminou o ano com um saldo positivo de US$ 68,3 bilhões, valor nunca antes alcançado e resultado de exportações que somaram U$ 348,6 bilhões – valor correspondente a um incremento de 3,5% – e importações que alcançaram U$ 280,3 bilhões. Lembrando o tarifaço ordenado pelo presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, diante do qual os mais apressados, ou pessimistas, chegaram a imaginar que a economia brasileira poderia entrar em colapso, os números agora exibidos representam muito mais que mero alívio.
A esperada catástrofe afinal não se consumou também porque o presidente Trump recuou, tornando mais brandas as pancadas de seu taco de beisebol diante do entendimento elementar de que a dor maior no final das contas seria sentida pelos consumidores norte-americanos e das pressões políticas consequentes. Sem estes movimentos, dificilmente as ponderações brasileiras ou, ainda mais, o entendimento da impertinência das tentativas de influir no jogo político interno, teriam encontrado bons ouvidos na Casa Branca. Tanto quanto o presidente Lula não teria se transformado em figura simpática, interlocutor respeitado e digno até de alguns afagos.
Do outro lado da mesa, e depois do rápido e surpreendente encontro dos dois presidentes durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, é preciso registrar também a correta atuação da diplomacia brasileira, que chegou a ser apontada na Europa como exemplo que os Estados Unidos deveriam imitar. Saber esperar, ser capaz de manter a calma, ajudou a exibir a melhor face do Brasil que assim recuperou protagonismo global. Fato objetivo amplamente confirmado agora nas consultas de líderes internacionais que foram buscar em Brasília respostas para suas indagações e dúvidas sobre os acontecimentos recentes na Venezuela.
No campo da gestão pública e no campo da diplomacia, são fatos a registrar e resultados a comemorar. Quem sabe para ajudar na melhor compreensão da realidade e também no entendimento de que pessimismo nunca é bom conselheiro.
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