Editorial

De olhos abertos

Aumento da tensão no Oriente Médio amplia incertezas no cenário internacional e eleva riscos geopolíticos e econômicos, sobretudo no mercado do petróleo
De olhos abertos
Foto: Mohamed Azakir / Reuters

O presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, tem afirmado que a ofensiva contra o Irã prosseguirá “pelo tempo que for necessário” para destruir o poderio bélico do país. Tem dito também que operações de maior intensidade poderão prosseguir “por quatro ou cinco semanas”, o que necessariamente não significa que estaríamos todos diante de níveis de previsibilidade minimamente aceitáveis. Não é este o caso diante de um quadro de guerra aberta e de alastramento do conflito em que a hipótese de que todo o Oriente Médio seja diretamente afetado não pode ser desconsiderada.

Dito de outra forma e como alguém já falou, por enquanto a única certeza com relação ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã é exatamente a incerteza. Um contexto que também no plano econômico, aspecto que mais de perto interessa ao Brasil neste momento, demanda prudência, especialmente com relação ao sensível mercado do petróleo. Antes do ataque do último sábado a cotação média do barril de petróleo estava na faixa dos U$ 70, valor que já na segunda-feira sofreu oscilações de até 13%, com analistas estimando que um cenário em que o barril seja negociado a U$ 100 pode ser realístico. As condições de suprimento, tendo em conta toda a movimentação que depende do Estreito de Ormuz, é outra variável bastante preocupante.

Nesse contexto é preciso lembrar em primeiro lugar que o Brasil tem condições, com produção própria, de atender plenamente à sua demanda de óleo bruto, além de preservar larga margem para exportação. Situação, portanto, muito diferente de crises anteriores, como a dos anos 70 no século passado, momento em que optamos pelo desenvolvimento de combustível renovável, o etanol, além de ampliação de investimentos em prospecção e extração, empreitadas marcadas por amplo e reconhecido sucesso.

Alcançar autossuficiência em suprimento de petróleo tinha e continuará tendo para o país importância estratégica da maior relevância e é precisamente o que as condições atuais comprovam. Um alívio – e é fundamental máxima vigilância a respeito – que não pode ser comprometido por políticas comerciais ditadas de dentro para fora, desconectadas de nossos próprios interesses, como a paridade, no mercado interno, dos preços ao mercado internacional. Autossuficiência significa independência e a pretendida paridade simplesmente anula tal condição, deixando assim de fazer qualquer sentido, sobretudo em momentos como o atual.

Um entendimento que só pode ser entendido como elementar, mas que, como foi ignorado em outros momentos, deve agora ser objeto de melhor atenção.

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