Editorial

A periferia do planeta

O Brasil tem o que comemorar no que toca ao desempenho da economia em 2025
A periferia do planeta
Foto: Reprodução Adobe Stock

Embora ainda não estejam disponíveis dados completos e fechados, o País tem o que comemorar no que toca ao desempenho da economia em 2025. E com destaque para o comportamento da inflação, redução no nível de desemprego e aumento da renda, além do crescimento geral medido pelo Produto Interno Bruto (PIB). Uma calmaria, se assim pode ser dito, bem refletida no movimento registrado no setor de turismo, onde mais um importante recorde foi registrado. O País recebeu ao longo do ano passado e até o mês de novembro 7 milhões de visitantes estrangeiros, ou exatos 2,3 milhões a mais que em 2024, o que pode ter gerado receita estimada pela Embratur em U$ 8 bilhões aproximadamente.

Para o setor, o desempenho registrado, e que promete ser repetido ou superado no ano que começa, foi consequência principalmente de políticas mais assertivas de divulgação. Com o requinte do uso de inteligência artificial para identificação de públicos e respectivos interesses, o que teria possibilitado abordagens mais focadas e, consequentemente, os resultados agora comemorados. Ainda conforme a Embratur, tal movimentação ficou por conta de argentinos (3,1 milhões), chilenos (721,4 mil) e norte-americanos (677,8 mil). Quanto aos destinos, as preferências ficaram com São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

São números a comemorar mesmo que com a falta de dados relativos a visitantes de origem chinesa, hoje campeões de viagens mundo afora, e europeus. Igualmente caberia considerar e no rumo das reflexões mais consistentes, os volumes quantitativos que envolvem a indústria do turismo no planeta. Para concluir de pronto que a participação brasileira neste bolo prossegue um tanto modesta e com largos caminhos de crescimento, considerando tudo que temos a oferecer. Nessa direção, e não sem antes lembrar que os visitantes que chegam em maior quantidade tem o beneficio da proximidade, caberia considerar e explorar um outro fator crucial.

Estamos falando das tarifas do transporte aéreo, que, por insondáveis – ou nem tanto – razões, são mais caras, direcionando turistas para outras direções, quase sempre no Hemisfério Norte. Eis o mundo desenvolvido, rico e sempre capaz de impor seus interesses. Sem que essa lógica seja quebrada, e independentemente de tudo que temos a oferecer, do clima bom o ano inteiro ao calor das praias tropicais para ficar apenas no mais óbvio, nossa posição está condenada a continuar periférica. O destino definido pela proximidade ou apenas exóticos para poucos.

Sim, avançamos e devemos comemorar, porém com consciência de que é possível fazer muito mais.

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