Editorial

Relações abusadas

Situações comuns na aviação comercial expõem o desequilíbrio nas relações entre companhias aéreas e passageiros no Brasil
Relações abusadas
Crédito: Reprodução Adobe Stock

Há precisamente uma semana, um passageiro deveria embarcar em Confins num voo previsto para as 21 horas e com destino a Congonhas, São Paulo. Precavido, saiu da região Centro-Sul de Belo Horizonte cerca das 18 horas para cumprir com tranquilidade e segurança percurso que em condições normais é feito entre 50 a 60 minutos no máximo. Mas não contava com as fortes chuvas que atingiram a cidade naquela tarde/noite e seus reflexos no trânsito, agravados pela hora do rush. Resultado, demorou quase 3 horas para fazer o percurso e assim chegar a Confins já bem perto das 21 horas. E receber no balcão da companhia aérea a informação de que o embarque estava encerrado e o avião bem perto da decolagem. Restava remarcar o voo para a manhã do dia seguinte.

Registros que se tornaram comuns, principalmente em veículos eletrônicos, dão conta de que passageiros da aviação comercial andam um tanto nervosos, agressivos mesmo, sendo bastante comuns os casos de violência e agressões nos balcões de embarque, o que vem se repetindo em todo o mundo. Tem sido bastante comuns distúrbios já dentro das aeronaves envolvendo passageiros revoltados e fora de controle. O que estaria acontecendo, afinal? Seria apenas a repetição da violência que parece banalizada?

O que aconteceu na quinta-feira (5) com o passageiro que perdeu, por circunstâncias alheias à sua vontade, seu voo para São Paulo pode ajudar a explicar esses fatos. Diante do balcão onde esperava simplesmente remarcar seu voo ele foi informado de que deveria pagar, entre outras exigências, multa pelo no show, perdera a passagem já adquirida e deveria comprar outra, só que com tarifa equivalente a mais do dobro da anteriormente paga. Tratava-se simplesmente de pegar ou largar e sem qualquer possibilidade de apelação. Poderia ter sido também, diante do evidente abuso, mais um daqueles casos de gritaria, quando não de troca de agressões ou destruição de instalações tanto do aeroporto quanto da companhia aérea.

Não foi o que aconteceu, mas certamente poderia ter acontecido, fosse outro o comportamento do passageiro que simplesmente soube conter com civilidade sua indignação sem limites. Fato é que as relações cliente-fornecedor, especialmente no que toca à aviação comercial, não podem continuar neste nível de desigualdade e desequilíbrio em que os mais elementares direitos são solenemente ignorados. Para os passageiros são incômodos, para as companhias aéreas comportamentos que ajudam a explicar como e porque empresas do setor parecem ter vida curta, mudando de nome e de bandeira numa velocidade que não parece fazer sentido.

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