Editorial

Sinais a perceber

Mesmo tendo perdido a condição de principal lastro da economia, o ouro segue como o investimento mais seguro
Sinais a perceber
Foto: REUTERS/Ajeng Dinar Ulfiana

Cabe prestar atenção, muita atenção. O planeta foi tomado por incertezas de proporções talvez inéditas, com repercussões um tanto graves na política e na economia. Com absoluta certeza estamos todos caminhando à beira do abismo e a possibilidade de queda nunca foi tão grande. Incertezas que, claro, se projetam também no mundo dos negócios, nos investimentos, que operam a partir das antenas mais sensíveis. Caso específico das cotações do ouro, o metal nobre que mesmo tendo perdido a condição de principal lastro da economia, prossegue reconhecido como investimento mais seguro, aquele procurado nos momentos em que os riscos parecem ultrapassar os limites do aceitável.

No ano passado, conforme foi registrado pelo Diário do Comércio em uma de suas últimas edições, a cotação do metal precioso chegou a variar 80% e apenas na primeira quinzena de 2026 já registrou alta de 6,85%. Nada enfim que possa ser situado no plano da normalidade ou mesmo que esteja dentro de padrões aceitáveis de flutuação. Melhor entender o significado da escalada registrada nos últimos anos e que ganhou velocidade no ano passado. Um salto que especialistas creditam ao cenário político internacional, à guerra entre Rússia e Ucrânia, à instabilidade na Palestina e às tensões no Irã e Coreia do Norte, tudo fazendo ver que a chamada guerra fria ganha a mesma intensidade registrada no passado.

Tudo isso e mais a instabilidade e imprevisibilidade ditadas pela atuação do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, que parece disposto a apagar todos os valores que ao final da Segunda Guerra, em 1945, o planeta dava como certos e como definitivos.

Por óbvio, interessa muito de perto ao Brasil acompanhar a marcha dos acontecimentos e, como foi dito acima, prestar muita atenção na evolução das cotações do ouro. E tudo no elementar entendimento que a exploração das reservas existentes no País está muito abaixo de seu potencial. Prestar atenção ao que se passa no Norte, na Amazônia, transformado em espécie de novo Eldorado e também em terra de ninguém. Em síntese, com produção crescente, mas sem mínimos controles, o que escancara as portas do contrabando e da clandestinidade, além de reforçar a criminalidade.

Eis porque sobra o entendimento de que é preciso enxergar o que se passa, é preciso também reagir e assim impedir que, paradoxalmente, grandes riquezas acabem produzindo não mais que prejuízos sem conta para o País e para os brasileiros.

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