Sistema em alerta
O Brasil, sobretudo Minas Gerais, vem batendo recordes de capacidade de geração de energia renovável, impulsionados pelo crescimento observado no segmento fotovoltaico. Um fato para se comemorar, certo? Principalmente em um momento em que é preciso encontrar alternativas limpas para suprir a demanda. Porém, no País, a expansão significativa nos últimos anos se tornou um motivo de preocupação, uma vez que a infraestrutura pode não suportar esse avanço, e uma sobrecarga do sistema pode resultar em blecaute.
A situação pode indicar falta de planejamento. Os sistemas de transmissão e distribuição não acompanharam o crescimento da geração e, agora, impossibilitam que as usinas operem a 100% da capacidade.
Esse cenário pode colocar em xeque investimentos bilionários. A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), por exemplo, projeta aportes de R$ 3,7 bilhões do segmento em Minas Gerais. No entanto, a viabilidade desses aportes esbarra em gargalos significativos nas conexões de rede, que já foram o grande desafio do setor em 2025.
O “sinal amarelo” emitido pelo ONS para o Natal de 2025 evidencia que o sistema atingiu um limite crítico. O Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia foi desenhado justamente porque, em momentos de baixa demanda e alta irradiação solar, a oferta supera drasticamente o consumo. Um precedente preocupante ocorreu em agosto de 2025, quando o operador precisou cortar 98,5% do potencial de geração das fontes eólica e solar para evitar o colapso do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Minas Gerais, que se consolidou como a “locomotiva” da energia solar no Brasil e ocupa a segunda posição no ranking nacional, tem muito a perder. O crescimento futuro, especialmente nos setores residencial e rural, depende de uma rede que não apenas aceite a conexão, mas que garanta a estabilidade da entrega.
Diante da infraestrutura deficitária, o setor começa a enxergar o uso de baterias e sistemas híbridos não mais como um luxo, mas como uma necessidade técnica para garantir independência energética e aliviar as obrigações das concessionárias, como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).
Apesar disso, as soluções individuais não substituem a necessidade de um planejamento robusto do sistema elétrico do Brasil. Em meio às dificuldades enfrentadas no País, o governo federal vem anunciando grandes leilões de transmissão, interligando as principais regiões onde se concentram as usinas solares, como a porção Norte de Minas Gerais. Porém, é preciso criar ainda mais condições para que esses investimentos ocorram de forma célere, para que tanto Minas quanto o País não percam esses importantes recursos.
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