Somente bom senso
Ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, imaginava-se que as proporções do conflito seriam o bastante para impor ao planeta uma nova ordem, livre de riscos e mais guerras. A ilusão durou muito pouco, pouquíssimo, e nestes mais de 70 anos não houve paz, ainda que sem conflitos apocalípticos.
Prevaleceu o equilíbrio do medo, imposto essencialmente pela entrada em cena das armas atômicas, e os riscos de consequências que não haveria como reparar. Nesse contexto, a Organização das Nações Unidas (ONU), imaginada para ser guardiã da paz e capaz de arbitrar conflitos, foi pouco mais que fachada, contida nos seus propósitos mais amplos pelo direito de veto das grandes potências.
Uma realidade que na atualidade parece mais visível, tantos e tão fortes são os sinais de esgotamento, virtual falência que parece agora balizada pela proposta de criação de um chamado Conselho da Paz, tudo sob inspiração direta do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos. São movimentos de evidente sincronia e que assim devem ser percebidos. Trata-se, claramente, de esvaziar ainda mais a ONU, de desnudar sua virtual falência para ao mesmo tempo pôr de pé o tal Conselho, tendo como presidente vitalício precisamente o senhor Donald Trump. O mesmo que sepultar o multilateralismo e assim aceitar como fato consumado apenas e exclusivamente a lei do mais forte. E com endereço tão certo quanto conhecido mesmo que ainda fique faltando combinar com potências de igual quilate, cuja calma, conforme já foi avisado, tem limites.
Como igualmente bem observado, inclusive pelo presidente brasileiro, um dos convidados para fazer parte do tal Conselho, seria mais fácil, além de mais lógico, levar adiante a reforma da própria ONU, assim restaurando seus propósitos, sinteticamente valores universais agora claramente ameaçados. Para fazer do multilateralismo, da integração e da colaboração entre nações o verdadeiro eixo do equilíbrio universal. Ou, elementarmente, valores que simplesmente traduzam bom senso, razoabilidade e conveniência, assim possibilitando convívio e afastando, tanto quando possível definitivamente, a insanidade de conflitos que se repetem. E que só no ano passado consumiram cerca de US$ 3 trilhões, valores que bem aplicados bastariam para transformar o planeta em algo bem próximo do que se entende como paraíso.
Sim, algo perfeitamente possível pelo menos enquanto houver possibilidade de escolha, enquanto a voz definitiva não for a do mais forte.
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