Turbulências entre nuvens
As redes sociais por suposto foram imaginadas, entre outras coisas, para aproximar e agregar pessoas, amplificando exponencialmente as possibilidades de interação. Sobram evidências, hoje, de que não foi exatamente o que aconteceu ou, pior, que os resultados são opostos ao imaginado. Faltam estudos mais completos e independentes sobre exatamente o que está acontecendo, mas é fato que as pessoas estão mais intolerantes, numa espécie de disfunção coletiva que deve ser vista com atenção.
Uma realidade que pode ser bem ilustrada na multiplicação de incidentes envolvendo passageiros de aviões comerciais, seja em trânsito nos aeroportos, seja durante os voos. A intolerância e abusos, para além da impaciência e mesmo agressividade, são hoje bastante comuns, quase rotineiro, provocando atrasos, cancelamentos e até desvio de rotas. Uma situação que se repete mundo afora e que no Brasil levou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a anunciar que está elaborando um novo conjunto de regras, a serem conhecidas ainda no primeiro semestre do ano, destinadas a punir e apartar passageiros indisciplinados.
Faz sentido e, até por conta da segurança em voo, é mesmo preciso impor a disciplina que vai sendo perdida, talvez em parte também decorrência da multiplicação de voos e de passageiros. Os fatos, no entanto, estão a recomendar que a questão seja vista mais amplamente, considerando que também as companhias aéreas vêm se mostrando um tanto impertinentes, se não abusivas. Caso aparente da companhia francesa que há dias expulsou passageiros – uma família – de voo entre França e Brasil alegando comportamento inapropriado mesmo com evidências de que tudo pode não ter passado de mero arranjo para alojar um outro passageiro.
Estamos falando de abusos também rotineiros e indulgentemente tolerados como a prática rotineira do overbooking ou a mágica de vender mais passagens que os lugares disponíveis. Um poder quase imperial e que objetivamente faz dos comandantes senhores absolutos de tudo e de todos e sem qualquer espaço para contestação. Algo um tanto anacrônico, mesmo que considerada a questão da segurança, que na prática anula o equilíbrio que deve ser parte das relações de comércio, de quem compra e de quem vende.
A mera falta de educação, ou ausência de limites repetida com incômoda frequência, não deve mesmo estar presente nos aviões. Tanto quanto é preciso exigir das companhias aéreas que simplesmente entreguem o que estão oferecendo e vendendo.
Ouça a rádio de Minas