Um aviso oportuno
“O Brasil tem que ter um projeto, através de eficiência, eficácia e desenvolvimento econômico, com resultados sociais para a maioria da população. Primeiro tem que reforçar a qualidade da educação, com acesso amplo, adaptando o desenvolvimento tecnológico ao mercado de trabalho. Decidir se vamos ser um país exportador de matérias-primas e commodities ou se vamos começar a produzir produtos industrializados e de valor agregado, seja com mais ou menos tecnologia”.
A receita não é nova, dela tampouco se pode dizer que seja desconhecida embora certamente ande um tanto esquecida. Daí a importância de ser lembrada, tanto mais que pela voz de um industrial conhecido e respeitado, Stefan Salej, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). Importante também que seja lembrada, como uma espécie de convite, no preciso momento em que as articulações políticas se aproximam da definição dos candidatos que participarão da corrida eleitoral com chegada prevista para o próximo mês de outubro.
Salej nos fala precisamente do que está faltando, um projeto para o País construído a partir de ideais e centrado na criação de condições para que todos os potenciais da gente e da terra brasileira afinal produzam os frutos que deles podem ser esperados. Algo como abrir e pavimentar a estrada capaz de nos conduzir ao futuro tão aguardado, esforço que, como lembrado agora, necessariamente tem que partir e se sustentar na educação de qualidade.
Lembrança oportuna também por conta do recente acordo firmado pelos países que integram o Mercosul com a Comunidade Europeia destinado a facilitar e expandir relações comerciais e de negócios. Poderá ser um grande avanço desde que o Brasil seja também capaz de recuperar sua proximidade e interação com as mais modernas tecnologias, colocando-se assim em condições de atender mercados mais avançados. Do contrário corre o risco de redução até mesmo de atividades industriais mais básicas para apenas firmar – eternizando – sua condição, quase colonial, de fornecedor de matérias-primas, ainda que destinadas à alimentação.
Com rica experiência recente em seu país natal, a Eslovênia, e atuação ativa na Comunidade Europeia, Stefan Salej conhece a realidade e sabe muito bem do que está falando. Com a vantagem de igualmente conhecer muitíssimo bem o Brasil, de seus gargalos às suas vantagens competitivas. E assim poder advertir, como fez em recente encontro com empresários na Associação Comercial de Minas, que o acordo com a Europa poderá ser muito bom, mas será ruim se o Brasil não tiver um projeto bem estruturado para dar competitividade à sua indústria.
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