Editorial

Verdades indesejadas

Liquidação do Banco Master continua rendendo assunto em Brasília
Verdades indesejadas
Vista da entrada do Banco Master. Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

A temperatura em Brasília está quente e não necessariamente apenas por conta do verão. A liquidação do Banco Master continua rendendo assunto, além de temores de que investigações levadas às últimas consequências poderão ser o estopim de uma crise demolidora. Versões a respeito não faltam, sobrando acusações à esquerda e à direita, além de dúvidas crescentes sobre o envolvimento do Supremo Tribunal Federal (STF) no assunto, que, pelo menos por enquanto, não deveria ter escapado à orbita do Banco Central.

Como foi dito neste mesmo espaço, coisas estranhas, muito estranhas, andam acontecendo e telhados de vidro estão expostos como nunca antes aconteceu. E o bastante, entre tantos exemplos que poderiam ser lembrados, para justificar que o ministro Edson Fachin tenha decidido interromper suas férias para retornar a Brasília onde voltou a defender a urgência da aprovação de um Código de Conduta para o STF.

“Sustendo a adoção de um código de conduta como instrumento de governança ética capaz de consolidar a legitimidade do tribunal, harmonizar expectativas sobre o comportamento institucional e alinhar a Corte a padrões internacionais de transparência e integridade, preservada, em qualquer hipótese, a independência judicial.”

Diante de dúvidas que estão no ar, diante de suspeitas que aparentemente vão se aproximando de verdades indesejadas, mais não precisaria ser dito. Para adequado entendimento do tema, para apagar resistências que, conforme tem sido dito, surgiram dentro da própria Corte.

Até para aqueles que acreditam que a possibilidade de relações promíscuas entre ministros e os envolvidos no escândalo do Banco Master estaria sendo potencializada precisamente para enfraquecer o próprio Supremo, a verdade será sempre o mais adequado antídoto. São tantas as dúvidas, tão fortes os sinais indesejados, que tudo precisa e deve ser posto a limpo, para proteger quem merece, para apagar sombras que não deveriam existir. E, claro, sem que não prevaleça a ideia nefasta de que o esquecimento virá com o tempo, salvas as aparências bem como os interesses escusos.

Melhor, muitíssimo melhor, seria indagar de pronto e apenas para começar como e porque irregularidades dessas proporções puderam acontecer durante tanto tempo e sem que nenhum alarme tivesse sido acionado. Esta sim é uma condição que fragiliza e coloca sob ameaça todo o sistema financeiro e seu pilar de credibilidade.

Esquecer não é alternativa, tampouco cabe varrer para debaixo do tapete os podres já conhecidos.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas