Editorial

Virar a chave

Crise no Oriente Médio reforça a necessidade que o Brasil tem de reduzir sua vulnerabilidade energética
Virar a chave
Regap Betim | Crédito: Adriano Eduardo de Lima / Agência Petrobras

Depois que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que o conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, está fora de controle, cresceram as incertezas com relação a seus possíveis desdobramentos. A começar do risco de uma escalada com possíveis reações drásticas de China e Rússia e implicações mais diretas na economia, começando pelo sensível mercado do petróleo. E nesse quadro o Brasil, que tem na região mais drasticamente afetada parceiros comerciais relevantes, vai tentando se equilibrar ou, pelo menos, suavizar os impactos imediatos sobre os preços dos derivados de petróleo, do diesel muito em especial.

Fato é que se persistem incertezas de proporções possivelmente inéditas também aflora a certeza de que, independentemente do que possa acontecer em futuro próximo, alcançar plena autonomia com relação ao suprimento de gás e de combustíveis líquidos deve ser para o País, em termos estratégicos, mais que econômicos propriamente, o mais imediato dos objetivos. Para recordar, o Brasil hoje produz cerca de 3 milhões de barris de petróleo/dia, com excedentes da ordem de 2 milhões de barris. Mas como não tem capacidade de refino para atender suas necessidades, continua dependendo de importações, especialmente de óleo diesel, no correspondente aproximadamente à quarta parte do consumo interno.
É preciso e de extrema urgência virar essa chave, de qualquer forma tarefa bem mais fácil das condições que se apresentavam na segunda metade da década de 70, quando diante da primeira crise do petróleo o País assumiu o desafio de alcançar autossuficiência na produção própria de petróleo. Tarefa que parecia fora de alcance, mas que foi cumprida com pleno êxito, legando ao planeta inclusive tecnologia inédita de extração de óleo em águas profundas.

São reflexões valorizadas pelo anúncio de que a Petrobras investirá R$ 9 bilhões na Refinaria Gabriel Passos, em Betim, para que a unidade atinja no final do próximo ano capacidade para processar ate 240 mil barris de petróleo/dia, o que significa mais que dobrar a produção atual. A Regap, que foi uma das colunas de sustentação da expansão da economia regional a partir dos anos 70, enfrentou um longo processo de virtual sucateamento e operava a 60% de sua capacidade.

Eis a medida exata da importância do anúncio que acaba de ser feito, quem sabe para apontar um novo caminho para o Brasil justo no momento em que o planeta parece mais próximo do abismo de uma crise de proporções ainda insondáveis.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas