De commodity a bioproduto, madeira vira caminho estratégico

Estado pode liderar transição rumo a uma economia menos dependente de matérias-primas brutas
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De commodity a bioproduto, madeira vira caminho estratégico
Foto: Reprodução Adobe Stock / Renhue

A agregação de valor ainda é um desafio tanto para Minas Gerais quanto para o Brasil. Neste sentido, o Parceiros do Futuro tem se proposto a discutir o futuro e elaborar uma proposta da sociedade para o desenvolvimento do Estado. E os três pilares nos quais o projeto se organiza, envolvem:

  • a diversificação da economia, reduzindo a dependência das commodities de baixo valor agregado, buscando atividades de maior complexidade para aumentar a retenção de valor nas localidades;
  • a busca por tecnologias verdes e processos de produção regenerativos, aproveitando a disponibilidade de energia limpa e os recursos naturais para ganhar competitividade no mercado externo e a urgência de enfrentar o desequilíbrio climático; e
  • a geração de riqueza de forma mais equilibrada, reduzindo a desigualdade entre regiões e pessoas com o objetivo de promover mais desenvolvimento e ativar o imenso potencial do capital humano e da diversidade cultural

O setor florestal parece se encaixar nos três pilares. “Se fosse para Minas Gerais fazer apostas e investimentos em agregação de valor, eu, com certeza, investiria no plantio florestal porque pode integrar as diferentes frentes em um mesmo projeto, rumo à economia verde”, diz a presidente da Associação Mineira da Indústria Florestal (Amif), Adriana Maugeri.

Adriana Maugeri
Foto: Divulgação AMIF

Mas, para isso, a indústria precisa participar do processo de ponta a ponta e não apenas em etapas das cadeias. “Isso é um desafio para o Brasil, porque a gente tem baixa produtividade, baixa oferta de mão de obra qualificada e especializada, um custo maior que muitos países. Mas, apesar disso, temos agora o grande apelo pela madeira como fonte de matéria-prima limpa”, admite.

E o setor florestal pode ser fundamental para este processo, já que a estimativa é que haja mais de 5 mil bioprodutos nos segmentos de alimentação, medicamentos, cosméticos, biocombustíveis e até tecidos, que podem ser fabricados a partir das florestas plantadas.

“Quase tudo o que se faz com petróleo pode ser feito com madeira, por processos físico-químicos distintos. São mais de 5 mil bioprodutos, alguns que nem foram descobertos ainda, por isso, a inovação precisa ser retroalimentada, o que nos promete revolução verde e um caminho sem volta nos próximos anos. Não tem como fugir desse potencial de agregar valor em áreas que incluam o uso de combustíveis a partir da madeira, usos na medicina, na carenagem de avião – um universo de produtos que a sociedade, cada vez mais, vai demandar. Não tem mais como a gente continuar se não pensarmos em proteção ambiental concomitante com a produção econômica e as florestas plantadas são um grande instrumento para esse processo”, explica.

Conheça os potenciais dentro de cada setor

  • Papel e celulose: Todos os papéis (sanitário, de secar mãos, higiênico, lenços umedecidos, fraldas, papel de parede, de imprimir e escrever, cadernos) são 100% feitos com madeira de florestas plantadas, passando por um ciclo renovável. Papel e celulose, especialmente de eucalipto e pinus, são o produto da indústria florestal que mais contribui para a balança comercial do agronegócio mineiro;
  • Carvão vegetal: Utilizado como biocombustível e biorredutor para descarbonizar a siderurgia. Em Minas Gerais, 100% do carvão vegetal consumido pela indústria deve ser de floresta plantada por legislação.
  • Biomassa para produção de energia: O cavaco de madeira está crescendo muito em Minas Gerais como substituição para termoelétricas a óleo, atuando como uma fonte de energia renovável de biomassa. A biomassa também é usada na entressafra da cana para abastecer a geração de energia.
  • Outros produtos: Forração para avicultura, estruturas de curral para pecuária, cercas, móveis, janelas, esquadrias, pisos e painéis; e até mesmo lápis para colorir.

Inovação como motor

Para viabilizar tudo isso, é preciso investimento em inovação. A presidente da Amif explica que o grande boom vivido pelo setor florestal neste quesito está dentro das empresas que, por meio de parcerias e com capital intensivo, têm investido fortemente em pesquisa e desenvolvimento. Desta maneira, seja com o apoio e financiamento da academia na inovação direcionada para as necessidades do setor ou com a contratação de profissionais para esse desenvolvimento, o resultado é um só: coloca o Brasil à frente do restante do mundo quando o assunto é o desenvolvimento de produtos a partir da madeira.

“No Brasil, de uma forma geral, o ecossistema de inovação tem as grandes empresas ou parcerias estabelecidas entre empresas como impulsionador. Isso mostra a importância da cooperação. No setor florestal, já vemos esse tipo de iniciativa no desenvolvimento de soluções. As indústrias automobilística, de construção, cosméticos e alimentos são algumas delas”, enumera.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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