Parceiros do Futuro

Fórum de Líderes debate criação da ‘marca Minas Gerais’

Ciclo de encontros do projeto Parceiros do Futuro começa nesta quinta-feira com foco na identidade e prosperidade do Estado até 2040
Fórum de Líderes debate criação da ‘marca Minas Gerais’
Parceiros do Futuro reúne lideranças para debater place branding e estratégias de desenvolvimento do Estado | Foto: Reprodução Adobe Stock

Branding já se tornou um termo de grande familiaridade no mundo corporativo. Qualquer empresa, seja ela do tamanho que for, reconhece a importância da construção e do trabalho de sua marca para conquistar mercados, engajar clientes e alavancar o negócio. O mesmo conceito serve para cidades, Estados e países. Trata-se do place branding, ou seja, o “branding de lugares”, importante para a construção da imagem de regiões.

Pensando na colaboração para a construção de uma Minas Gerais mais próspera e protagonista de seu próprio desenvolvimento, e que lidere transformações perenes em termos de Brasil, o Parceiros do Futuro, projeto do Diário do Comércio em parceria com a consultoria Spine, inicia seu ciclo de debates de 2026 justamente tratando da construção de uma marca para Minas Gerais.

O Fórum de Líderes, uma série de encontros e mesas-redondas com presidentes e lideranças que protagonizam a transformação do Estado rumo a um cenário de prosperidade real, acontece na tarde desta quinta-feira (5), na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BH), na região Centro-Sul da Capital. A proposta é discutir a “marca Minas Gerais” com quem ajuda a lapidá-la, vive do seu sucesso e aponta caminhos para que ela seja melhorada e melhor utilizada.

Entre as presenças confirmadas, representantes da ACMinas, Amif, ArcelorMittal, BDMG, BH AirPort, BHTech, CDL/BH, Fapemig, FDC, governo de Minas, Greco Design, Inhotim, Itaminas, MRV, Órbi, RHi Magnesita, Samarco, Sebrae Minas, Snef do Brasil, Stellantis, Tom Comunicação e UFMG.

A presidente e diretora editorial do Diário do Comércio, Adriana Muls, recorda que, durante o 1º Fórum de Líderes, realizado no fim de 2025, discutiu-se a necessidade de se construir uma marca para Minas Gerais, diante dos inúmeros potenciais que muitas vezes são subaproveitados. “Os talentos e potenciais muitas vezes não são explorados de forma adequada para o desenvolvimento econômico. E falta também ambição. Começamos a discutir o assunto já naquela ocasião e agora vamos dar continuidade com mais profundidade, trazendo, inclusive, especialistas e representantes do governo”, afirma.

Da mesma forma, os próximos encontros, que ocorrerão em maio, agosto e novembro, seguirão abordando elementos necessários para a estruturação de um planejamento de longo prazo para o Estado. São eles:

  • Construção da matriz SWOT de Minas;
  • Discussão dos principais projetos e metas de longo prazo;
  • Balanço do ano e replanejamento de 2027.

Porém, Adriana Muls reforça que o objetivo é debater, influenciar, orientar e construir o planejamento estratégico de forma conjunta para que ele seja efetivamente praticado. “Não seremos nós que vamos definir os caminhos. Essa vai ser uma construção com todos”, frisa.

Ela argumenta que a ideia é que o número de líderes cresça a cada encontro, o que já é esperado para essa primeira edição de 2026. Para a jornalista, as próprias lideranças já entenderam a importância desse ambiente para discutir o futuro de Minas Gerais de forma articulada e estruturada.

“Nos fóruns, as lideranças debaterão os temas necessários para a construção de um futuro rumo a um cenário de prosperidade real, de forma que essas discussões, somadas aos conteúdos produzidos pelo Diário do Comércio semanalmente, nos permitirão sair do campo das ideias para um planejamento efetivo. Afinal, as complexidades atuais e mundiais, que, claro, impactam nosso Estado, cada vez mais exigem esse tipo de articulação, com colaboração e união de esforços e saberes não apenas para a construção do futuro, mas também para enfrentar os desafios postos”, defende.

O economista e fundador da Spine, Frederico Madureira, reforça que o plano estratégico pretendido busca direcionar Minas para um cenário de prosperidade real no horizonte 2040.

E que, para isso, as lideranças discutirão uma série de assuntos que contemplem desafios e oportunidades do Estado. “Nesse primeiro momento, falaremos sobre a identidade de Minas Gerais. Depois, teremos mais três encontros para desenhar esse plano a partir dos desafios e dos projetos estruturados compartilhados”, diz.

Assim, a programação do Fórum de Líderes desta quinta-feira (5) inclui a defesa da construção de uma marca para Minas Gerais, por parte da presidente da Tom Comunicação, Adriana Machado, e do parceiro da Spine, Wilson Bentos, bem como a visão do governo mineiro com a secretária de Desenvolvimento do Estado, Mila Correa. Já nos momentos finais do encontro haverá uma dinâmica a partir da Identidade de Minas e implicações para a construção do planejamento que se almeja desenvolver e, por fim, os compromissos dos participantes para o ciclo 2026 do projeto.

Minas Gerais precisa de uma marca forte para atrair negócios

Conforme já publicado, Adriana Machado, presidente e diretora de inspiração da Tom Comunicação e diretora nacional da Abap (Espaço de Articulação Coletiva do Ecossistema Publicitário, antiga Associação Brasileira das Agências de Publicidade), defende que o Estado projete melhor sua imagem para atrair mais investimentos e atenção.

“Não dá para ficar só contando com a sorte. Estamos perdendo oportunidades comerciais, perdendo a possibilidade de atrair turistas e negócios. A tecnologia pode substituir muita coisa, mas ela não vai fazer comida boa para ninguém, não vai receber, não vai abraçar, não vai sentar à mesa para conversar. Não podemos abrir mão disso num cenário em que muitas coisas vão ser automatizadas ou substituídas pela inteligência artificial. A experiência é o grande nicho, mas depende de as pessoas saberem que existimos e olharem para a gente com desejo. Precisamos de uma marca forte”, argumenta.

Adriana Machado também lembra que esse trabalho não é uma tarefa apenas do governo ou de um ente isolado. “É muito importante não confundir a marca Minas com uma atuação do poder público isoladamente. A marca Minas trata de como nos apresentamos como sociedade. De como as pessoas formam uma imagem quando ouvem falar de Minas Gerais. A imagem que projetamos fica muito concentrada em alguns aspectos da nossa identidade, mas não no todo”, alerta.

Além disso, uma curiosidade é que o Sebrae detalha o place branding por meio do recorte de “marca-país”. A instituição defende que esse é o resultado de um processo que estuda elementos da cultura e da tradição, procurando sua real essência, para além do posicionamento da indústria ou do PIB.

“As estratégias trabalhadas em torno da marca-país procuram fortalecer a imagem do país diante das outras nações. É o mesmo procedimento que uma empresa emprega para se destacar no mercado, mas em uma escala mundial. Além de definir elementos gráficos, o trabalho de marca de um país define estratégias e metas que alinham todos os setores”, diz a definição. Ainda conforme o Sebrae, para abranger todos os aspectos importantes da nação, é usado um modelo chamado de “hexágono”.

O hexágono da marca-país

Este modelo foi criado pelo pesquisador Simon Anholt, em 2005. Com ele, foi possível auxiliar governos a planejar políticas, estratégias, investimentos e inovações que focassem as metas do País.

Arte marca-país
Foto: Imagem gerada por inteligência artificial (IA)

Estes são os seis pontos do modelo “hexágono”:

  1. Turismo: a imagem do país influencia a capacidade de atrair visitantes e investidores, movimentando a economia;
  2. Exportação: indica o nível de satisfação ou insatisfação externa em relação aos produtos de um país;
  3. Governança: decisões políticas tomadas pelos governos em todos os níveis;
  4. Investimento e imigração: atração de investimento estrangeiro e de mão de obra qualificada;
  5. Cultura e herança histórica: aspectos pelos quais a cultura de determinado país se destaca;
  6. Pessoas: líderes, comunicadores sociais, celebridades e a população em geral.

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