Política

Moraes concede prisão domiciliar temporária por 90 dias a Bolsonaro por quadro de saúde

Decisão temporária de 90 dias, com tornozeleira e proibição de redes sociais, vem após pressão e problemas de saúde do ex-presidente
Moraes concede prisão domiciliar temporária por 90 dias a Bolsonaro por quadro de saúde
Ex-presidente Jair Bolsonaro / Foto : Mateus Bonomi / Reuters

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu conceder nesta terça-feira prisão domiciliar temporária, em caráter humanitário, inicialmente por 90 dias, ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está cumprindo pena de 27 anos de prisão em regime fechado por tentativa de golpe de Estado e quatro outros crimes, segundo decisão tornada pública.

“Autorizo a prisão domiciliar humanitária temporária ao custodiado Jair Messias Bolsonaro, pelo prazo inicial de 90 (noventa) dias, a contar da data de sua alta médica, para fins de integral recuperação da broncopneumonia”, disse.

“Após esse prazo, será reanalisada a presença dos requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar humanitária, inclusive com perícia médica se houver necessidade”, ressaltou Moraes, na decisão de 40 páginas.

O magistrado impôs uma série de medidas cautelares ao ex-presidente, entre elas a colocação de tornozeleira eletrônica e a proibição do uso de celular e de redes sociais. Determinou também um pente-fino sobre as visitas, inclusive com vistoria das pessoas.

Um eventual descumprimento das medidas cautelares, segundo Moraes, levará à revogação da prisão domiciliar e ao retorno do ex-presidente ao regime fechado ou a um hospital penitenciário.

Procurada, a defesa de Bolsonaro não comentou de imediato a decisão do STF.

Pressão

A decisão de Moraes ocorreu após parecer favorável à medida do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e em meio a forte pressão de familiares e aliados do ex-presidente, além de apelos nos bastidores de alguns ministros do STF, segundo fontes que acompanharam as tratativas nos últimos meses.

A ordem de Moraes ocorreu no momento em que o magistrado tem sido alvo de questionamentos após a revelação de que o escritório de advocacia de sua esposa teve contrato com o Banco Master, instituição financeira liquidada e que teve seu dirigente máximo, Daniel Vorcaro, preso preventivamente. Vorcaro poderá firmar uma delação premiada com potencial de atingir autoridades dos Três Poderes.

Em seu parecer, Gonet apontou que o estado de saúde de Bolsonaro “demanda a atenção constante e atenta que o ambiente familiar, mas não o sistema prisional em vigor, está apto para propiciar”. Ele destacou que o ex-presidente deve passar por reavaliações periódicas.

A defesa de Bolsonaro havia feito um novo pedido de prisão domiciliar após ele ter sido internado no dia 13 de março no Hospital DF Star, em Brasília, para tratamento de pneumonia bacteriana decorrente de um episódio de broncoaspiração. A defesa, com base em relatório médico, alega que o ex-presidente corre risco de vida.

Por ordem de Moraes, Bolsonaro foi preso preventivamente em novembro, na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, após tentar violar uma tornozeleira eletrônica enquanto estava em prisão domiciliar. Pouco depois, essa prisão foi convertida em definitiva para que ele pudesse cumprir pena pela condenação por golpe de Estado.

Durante todo esse período, o ex-presidente — que fez 71 anos no sábado — teve intercorrências de saúde que o levaram ao hospital.

Conteúdo distribuído por Reuters

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