Sustentabilidade

UFMG desenvolve tecnologia para transformar plástico em solução contra desertificação

Iniciativa financiada pela Fapemig visa transformar plástico em nanocompósito para combater a desertificação e apoiar comunidades locais
UFMG desenvolve tecnologia para transformar plástico em solução contra desertificação
Foto: Divulgação/ CTNano/ UFMG

Os pesquisadores do Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno (CTNano), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estão desenvolvendo um projeto para mitigar os danos ambientais provocados pelo descarte de plástico em larga escala no semiárido mineiro. Essa iniciativa recebeu financiamento de R$ 2,33 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

A expectativa é transformar a vida de inúmeras famílias que vivem em uma região do Estado caracterizada pela distribuição irregular de chuvas. Em um lugar como este, a alta capacidade de retenção de água no solo é fundamental para o combate ao processo de desertificação.

O projeto, coordenado pelo professor Geraldo Wilson Fernandes, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, está sendo desenvolvido na Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) de Materiais Avançados e Nanotecnologia.

Ele tem como objetivo transformar o plástico em uma nanoestrutura de carbono associada a um particulado sólido, para uso em solos como um nanocompósito que favoreça a retenção de água e o combate à desertificação. O professor Luiz Orlando Ladeira explica que o foco está no desenvolvimento tecnológico e na realização de testes em campo para o plantio do alecrim-do-campo em zonas rurais mineiras sujeitas a esse processo, de modo a mitigar a perda de fertilidade do solo.

“Com isso, incentivamos também as comunidades locais a criar abelhas para a produção de própolis verde. Ainda neste ano, iniciaremos os testes em cidades do Norte de Minas”, afirma.

Poluição com descarte de PET

O descarte inadequado de PET causa poluição de solos e corpos d’água, impacta a fauna marinha e terrestre e contribui para a contaminação ambiental por microplásticos. Em aterros sanitários, por exemplo, esse material amplia o volume de resíduos e pode permanecer por centenas de anos, com tempo de decomposição estimado entre 400 e 800 anos.

Além disso, a ingestão de microplásticos por animais e a contaminação da água potável podem acarretar riscos à saúde humana, incluindo distúrbios hormonais e metabólicos, a depender dos compostos químicos presentes no plástico.

A estimativa global é de 8,3 bilhões de toneladas de plástico produzidas ao longo de 65 anos, com apenas 9% recicladas. O ritmo de produção e descarte não diminui, mesmo diante dos problemas já identificados. A projeção é de que até 2050 poderão existir pelo menos mais 12 bilhões de toneladas de plástico no meio ambiente.

(Com informações da UFMG)

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