Desastres climáticos: 67% das cidades de Minas Gerais decretaram emergência em cinco anos
Pelo menos 67% dos municípios de Minas Gerais registraram situação de emergência devido a desastres climáticos nos últimos cinco anos. O dado, que abrange o período de 2020 a 2025, indica que 575 das 853 cidades do Estado tiveram ocorrências reconhecidas oficialmente, segundo levantamento da Codex com base na Plataforma Nacional de Informações de Desastres (S2iD), do governo federal.
O percentual coloca Minas na sexta posição entre os estados com maior proporção de municípios atingidos. À frente estão Acre (100%), Amazonas (98,39%), Rio Grande do Sul (95,57%), Santa Catarina (87,12%) e Roraima (73,33%). Logo após Minas aparecem Maranhão (66,82%), Espírito Santo (66,67%) e Pará (63,89%).
O levantamento foi divulgado em meio a um novo período de chuvas intensas no Estado. Na Zona da Mata, temporais recentes deixaram mais de 70 mortos nos municípios de Juiz de Fora e Ubá.
Impacto financeiro
Além da frequência das ocorrências, Minas acumula R$ 4,2 bilhões em prejuízos públicos entre 2015 e 2024, também com base em registros da Plataforma Nacional de Informações de Desastres. No ranking nacional de perdas financeiras, o Estado ocupa a quarta posição, atrás da Paraíba (R$ 26,8 bilhões), de São Paulo (R$ 11 bilhões) e de Pernambuco (R$ 4,8 bilhões). No país, os danos somaram R$ 61 bilhões na última década.
Segundo o diretor de Negócios da Codex, Venicios Santos, o número de municípios com emergências reconhecidas indica recorrência.
“Quando mais de dois terços das cidades de um estado enfrentam situações de emergência em um intervalo de cinco anos, fica claro que não se trata de eventos pontuais. É um desafio estrutural que exige planejamento contínuo, investimento em prevenção e uso estratégico de dados para prever riscos e orientar políticas públicas”, afirma.
Municípios de pequeno porte
O levantamento aponta maior vulnerabilidade em cidades menores. De acordo com os dados nacionais analisados pela empresa, cerca de 60% das emergências registradas na última década ocorreram em municípios com menos de 30 mil habitantes.
Segundo Santos, essas cidades muitas vezes não dispõem de equipes técnicas permanentes, sistemas de monitoramento ou infraestrutura de dados. “Sem planejamento baseado em dados e prevenção estruturada, os municípios tendem a continuar reagindo aos desastres, em vez de reduzir sua exposição e seus impactos ao longo do tempo”, afirma.
Os dados consideram apenas situações de emergência ou estados de calamidade pública reconhecidos oficialmente pela União, condição necessária para acesso a recursos federais de resposta e reconstrução.
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