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Golpes digitais avançam sobre pequenos negócios e elevam risco para empresas

Especialistas alertam para os principais riscos e a importância de medidas de prevenção
Golpes digitais avançam sobre pequenos negócios e elevam risco para empresas
Foto: Reprodução Adobe Stock

Os golpes digitais não se restringem às grandes empresas. Com a digitalização experimentada nos últimos anos, sobretudo após a pandemia, os pequenos negócios também se tornaram alvos de cibercriminosos. Por isso, é fundamental que o empresário saiba proteger o seu empreendimento dos principais ataques.

“Os golpes digitais não escolhem tamanho, setor ou regime tributário. Empresas do Simples Nacional, do Lucro Presumido e do Lucro Real estão igualmente expostas. Qualquer organização que utilize sistemas digitais para transações fiscais, financeiras ou administrativas pode ser alvo”, afirma o diretor executivo da Confirp Contabilidade, Richard Domingos.

Sensação de insegurança digital em alta entre os empresários brasileiros

Pesquisa feita pela Grant Thornton e pela Opice Blum Advogados mostra que 79% das empresas se sentem mais expostas a ataques cibernéticos. Além disso, 66,5% veem a cibersegurança entre os cinco maiores riscos corporativos.

Ainda segundo o levantamento, apesar da preocupação, apenas 25% dos entrevistados disseram possuir algum tipo de seguro cibernético contra ameaças como phishing (o roubo de dados pessoais e financeiros de usuários por meio de mensagens falsas) e ransomware (uma forma de malware que rouba e mantém dados das vítimas reféns), apontadas como principais ameaças pelos empreendedores.

Principais práticas criminosas dos golpistas digitais

Domingos destaca que os criminosos utilizam uma combinação de tecnologia avançada e engenharia social para acessar dados corporativos dos negócios.

“Uma das práticas mais comuns é a obtenção de certificados digitais de forma fraudulenta. Com esse certificado em mãos, os golpistas se passam por representantes legais da empresa, podendo abrir contas bancárias, solicitar restituições de tributos e até alterar informações fiscais sem que os gestores percebam imediatamente”, explica.

Segundo o advogado Denis Barroso, outro mecanismo muito praticado é a manipulação de sistemas governamentais, como o e-CAC, o Portal do Simples Nacional e outros sistemas de arrecadação.

“Eles conseguem acessar a área da empresa e realizar ações que vão desde a retificação de declarações até a criação de novas empresas em nome dos sócios. O impacto é profundo: o empresário pode perder o controle total sobre os ativos e assumir responsabilidades legais por ações que não cometeu”, afirma.

Por fim, Barroso ainda alerta para golpes relacionados a promessas tentadoras ligadas a supostas oportunidades tributárias. “Muitos empresários recebem propostas para recuperação de créditos de PIS e Cofins que nunca existiram. Na verdade, são golpes que alteram indevidamente a natureza da receita bruta da empresa, permitindo a solicitação de restituições ilegítimas”, conclui.

Colaborador

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