Governo federal destina R$ 105 milhões para qualificar infraestrutura científica de Minas
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai destinar R$ 105 milhões divididos em 19 convênios para reforçar a infraestrutura científica de Minas Gerais. Do total, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai absorver R$ 29,4 milhões (veja abaixo). O anúncio e a assinatura dos contratos foram realizados pela pasta durante o evento Finep pelo Brasil na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), nesta segunda-feira (16).
O encontro contou com a presença da ministra Luciana Santos e de representantes de empresas de tecnologia e inovação de Minas, incluindo o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Carlos Alberto de Oliveira, e o presidente e CEO da BH-Tec, Marco Aurélio Crocco.
As parcerias firmadas são voltadas à modernização de laboratórios, manutenção de equipamentos e ampliação de centros de pesquisa em instituições de ensino superior e institutos federais do Estado (veja a lista de ações abaixo).
Os investimentos têm como objetivo garantir melhores condições para o desenvolvimento de pesquisas estratégicas, permitindo a atualização de equipamentos científicos e a recuperação de infraestrutura laboratorial.
Para a ministra do MCTI, Luciana Santos, os valores investidos e acordos firmados terão reflexos positivos no presente e no futuro da ciência brasileira. “Esses investimentos são essenciais para garantir que nossas universidades tenham condições de produzir ciência, formar profissionais altamente qualificados e desenvolver tecnologias que respondam aos desafios do País. Assim, estamos criando as condições para que o Brasil avance no caminho do desenvolvimento”, analisa.
UFMG lidera captação de recursos
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai absorver R$ 29,4 milhões do total de R$ 105 milhões destinados pelo MCTI, o que corresponde a quase 30% dos recursos oferecidos pela pasta às instituições beneficiadas pelos convênios assinados no Estado. O montante será aplicado na criação de um centro para pesquisa e conservação da biodiversidade brasileira (CPCBio) e manutenção da infraestrutura de pesquisa.
A Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), no Sul de Minas, e a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em Uberaba, aparecem no segundo e no terceiro lugares entre as instituições que receberão os maiores aportes do governo federal.

A Unifal-MG receberá R$ 18,1 milhões, que serão divididos entre a manutenção de equipamentos multiusuários, a criação de um centro multiusuário de ciências e tecnologias para mitigação de estresses ambientais e o fortalecimento da infraestrutura de pesquisa institucional. Já o acordo assinado pela UFTM contempla R$ 16,1 milhões destinados à expansão de laboratórios voltados à energia, aos combustíveis, à toxicologia e à biotecnologia, além de atualização e manutenção de laboratórios multiusuários.
Outras instituições beneficiadas
Instituição | Localidade | Empenho | Valor do investimento
- Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-MG) | Belo Horizonte | Programa de recuperação e manutenção de equipamentos de pesquisa | Investimento: R$ 1.242.424,88;
- Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais | Juiz de Fora | Manutenção de equipamentos de pesquisa | Investimento: R$ 929.056,82;
- Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ) | São João del-Rei | Manutenção preventiva e corretiva de equipamentos laboratoriais estratégicos | Investimento: R$ 1.899.279,82;
- Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG) | Alfenas | Manutenção de equipamentos multiusuários | Investimento: R$ 1.149.773,01;
- Universidade Federal de Lavras (Ufla) | Lavras | Manutenção preventiva e corretiva de equipamentos científicos | Investimento: R$ 1.895.179,57;
- Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) | Uberaba | Manutenção de equipamentos científicos | Investimento: R$ 663.984,32;
- Universidade Federal de Itajubá (Unifei) | Itajubá | Manutenção da infraestrutura de pesquisa multiusuária | Investimento: R$ 1.086.030,21;
- Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) | Diamantina | Manutenção de infraestrutura multiusuária de pesquisa | Investimento: R$ 1.249.771,22;
- Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) | Ouro Preto | Manutenção de equipamentos de pesquisa | Investimento: R$ 1.230.782,08;
- Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS) | Pouso Alegre | Manutenção de equipamentos de pesquisa | Investimento: R$ 1.248.321,33;
- Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG) | Alfenas | Centro multiusuário de ciência e tecnologias para mitigação de estresses ambientais. Investimento: R$ 11.355.809,87;
- Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) | Juiz de Fora | Expansão da infraestrutura de pesquisa da universidade | Investimento: R$ 6.188.408,73;
- Universidade Federal de Viçosa (UFV) | Viçosa | Expansão da infraestrutura para tecnologias ligadas à saúde e ao agronegócio | Investimento: R$ 9.110.043;
- Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG) | Alfenas | Fortalecimento da infraestrutura de pesquisa institucional | Investimento: R$ 5.645.862,45.
As parcerias, segundo a ministra Luciana Santos, fortalecem pesquisas em áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento científico e tecnológico do País, como saúde, biotecnologia, medicina de precisão, energia, biodiversidade e meio ambiente. Os projetos estão organizados em três frentes principais: manutenção de equipamentos científicos, criação de centros de pesquisa e expansão da infraestrutura laboratorial.
Mais investimentos federais no Estado
Durante o encontro, a ministra também destacou o aumento na destinação de recursos federais em ciência, tecnologia e inovação em Minas Gerais desde 2023. A partir do início da atual gestão, os investimentos chegam a R$ 3,3 bilhões no Estado, segundo ela. Os recursos incluem investimentos em infraestrutura científica, bolsas de pesquisa, apoio a projetos estratégicos e incentivo à inovação empresarial.
O valor, segundo a pasta, representa 74% a mais nos repasses para Minas na comparação ao período de 2019 a 2022, quando foram pagos R$ 1,9 bilhão.
Finep Pelo Brasil
A solenidade ocorreu durante mais uma etapa do programa da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), chamado Finep pelo Brasil, iniciativa que aproxima empresas, universidades e instituições científicas dos instrumentos de financiamento à inovação.
Representantes da Finep, empresa pública vinculada ao MCTI, detalharam os 13 editais recém-lançados, que somam R$ 3,3 bilhões, voltados ao financiamento de projetos de inovação empresarial em todo o País.
As chamadas incluem linhas de crédito e recursos não reembolsáveis destinados a empresas de diferentes portes, com foco na modernização tecnológica do setor produtivo. O programa prevê para este ano mais de 100 encontros em todo o País, dez deles realizados em Minas Gerais, Estado que deve reunir a maioria das rodadas.
Para o presidente do conselho de tecnologia e inovação da FIEMG, Matheus Pedrosa, embora os números executados nos últimos anos provem a eficiência e a potência do Estado no campo da tecnologia e inovação, os mesmos ainda são tímidos. “Conhecendo bastante o que a gente tem aqui em relação à indústria, nós temos condições, por meio desses recursos novos que estão chegando, de ter uma participação muito maior. Minas tem excelentes empresas, grandes vocações econômicas e acho que o industrial mineiro, principalmente o médio e o pequeno, pode, por meio desses aportes, ganhar condições para ter um diferencial ainda mais competitivo e produtivo”, pontua.
Pedrosa reforça ser importante que o empresário mineiro entenda que esse é um assunto estratégico. “Por isso eles devem se mobilizar para trazer para Minas os maiores recursos possíveis para fazer com que tenhamos um crescimento em produtividade e competitividade”, conclui.
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