Ao encontrar uma anotação num mapa antigo, mergulhador decidiu investigar o fundo do mar e recuperou moedas e joias de um navio que afundou em 1680
Um mergulhador descobriu o local onde repousa um navio britânico que naufragou há 350 anos, graças a uma anotação em um mapa histórico. A descoberta levou à recuperação de moedas, joias, fragmentos de espadas, instrumentos de navegação e itens pessoais que pertenceram à tripulação.
O Phoenix, navio de 46 canhões construído em 1670, naufragou perto das Ilhas de Scilly, na costa de Cornwall, em 11 de janeiro de 1680. A embarcação era comandada pelo capitão William Wildy e viajava sob contrato da Companhia Britânica das Índias Orientais. A companhia transportava seda, chá e especiarias pelas rotas comerciais globais desde 1600 até o século 19.
A pista arquivada que levou ao tesouro
Todd Stevens, mergulhador e autor, estava consultando documentos antigos no Museu Marítimo Nacional de Greenwich quando notou uma inscrição em um mapa: “Cap Wildy lost” (Capitão Wildy perdido), escrita sobre uma área a oeste da ilha de Samson, conforme informou Steve Weinman ao Divernet. A observação despertou sua curiosidade sobre o paradeiro real do navio.
Equipado para mergulhar, Stevens explorou os Western Rocks, área das Ilhas de Scilly conhecida pelos naufrágios. Ele identificou os restos do navio a profundidades entre 15 e 130 pés abaixo da superfície, segundo reportou Lisa Young ao BBC News. A confirmação veio do lastro peculiar da embarcação, feito de pedaços quebrados de canhão, que mostrou que se tratava do Phoenix.
Um patrimônio preservado para gerações futuras
Stevens recuperou artefatos do fundo do mar e os doou ao Museu das Ilhas de Scilly, instituição dedicada à preservação da história natural, arqueológica e marítima do arquipélago. Em entrevista ao Divernet, o curador Xavier Duffy disse que era impressionante que os objetos tivessem permanecido no leito marinho por aproximadamente 350 anos.
Segundo ele, a doação permite compartilhar o material com o público e preservá-lo para futuras gerações como parte do patrimônio das ilhas.
Ao longo dos séculos, quase mil navios naufragaram ao tentar navegar pelo arquipélago. Entre os casos notáveis estão o HMS Association, afundado em 1707 numa das piores catástrofes marítimas britânicas, e o HMS Colossus, encalhado em 1798 e hoje um dos naufrágios mais bem preservados da Grã-Bretanha.
A dificuldade de determinar a posição exata de uma embarcação no eixo leste-oeste agravava esses acidentes no século 18. O desastre do HMS Association, em 1707, levou o Parlamento a oferecer o Prêmio Longitude a quem resolvesse o problema. Em 1759, John Harrison inventou o cronômetro marinho H4, que solucionou a questão buscada havia séculos.
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