Filhotes órfãos entram num “internato” de seis meses, aprendem a pescar e escapar de armadilhas e só recebem o diploma quando conseguem viver como guaxinins selvagens
No estado estadunidense Mississippi, filhotes de guaxinim órfãos ou feridos entram num programa intensivo de sobrevivência que possui um nome curioso: “internato para guaxinins”. O objetivo é ensinar aos animais as habilidades que aprenderiam com suas mães, que morreram em acidentes de trânsito, tempestades ou outros eventos traumáticos que separaram as famílias.
A Woodside Wildlife Rescue, fundada em 2019 em Pass Christian, no Mississippi, já criou 76 filhotes neste ano, além de cuidar de outras espécies locais. O programa expõe os cuidadores a ferimentos causados por garras afiadas e ao calor intenso do sul do Mississippi, mas dá aos guaxinins uma chance de prosperar na natureza.
Como funciona o treinamento dos Filhotes
Os filhotes mais jovens passam as primeiras semanas em ambientes fechados e são alimentados com mamadeira pelos reabilitadores até receberem vacinas contra doenças transmitidas por colônias de gatos e cães. Depois, passam a usar cercados ao ar livre na propriedade rural de 20 acres do resgate, que reúne prados, florestas densas, lagoas e um rio próximo.
No início, os filhotes permanecem perto dos cuidadores humanos, mas depois passam a explorar livremente durante o dia. Os reabilitadores ensinam pelo exemplo: escondem minhocas na água e na lama para que os filhotes pratiquem técnicas de forrageamento. Os olhos dos guaxinins se iluminam quando descobrem as presas escondidas, e a reação indica o início da aprendizagem instintiva.
Habilidades práticas para a vida selvagem
O treinamento vai além da alimentação, e os filhotes praticam natação, enquanto os diretores do resgate os ajudam a se mover na água. Exercícios de caça com codornizes vivas ensinam predação e reproduzem desafios que enfrentarão na natureza.
Os reabilitadores também usam um assobio curto como sinal, e os filhotes aprendem a responder rapidamente, um comportamento que pode salvá-los de armadilhas e predadores. Na lição final, um voluntário prende os guaxinins em gaiolas e os assusta o suficiente para incentivá-los a evitar armadilhas e humanos.
A experiência ajuda os filhotes a se afastarem naturalmente dos reabilitadores conforme amadurecem. Passeios de caiaque nas lagoas da propriedade e viagens a ambientes fora do resgate expõem os filhotes a paisagens variadas. Cerca de seis meses depois do resgate, quando um grupo está pronto para ser solto, os instrutores realizam uma “cerimônia de formatura”.
Tocam “Pomp and Circumstance Marches”, de Edward Elgar, e leem o nome de cada guaxinim que se forma. Um reverendo abençoa a jornada dos animais, que são soltos em outra área florestal da propriedade. Para os filhotes que morrem sob os cuidados da equipe, o resgate realiza uma segunda cerimônia para abençoar e espalhar suas cinzas.
Dedicação e custo emocional do resgate
Paula Woodside, ex-marinheira mercante dos EUA, abriu o resgate em 2019 depois de reabilitar um filhote de guaxinim encontrado em seu navio. Já Raquel Priest, diretora do resgate, trabalha ao lado de Woodside para responder chamadas de animais em perigo.
O controle animal da cidade e cidadãos contatam a equipe quando encontram guaxinins feridos ou órfãos, e juntos tentam reunir os Filhotes com suas mães sempre que possível.
Quando os reabilitadores não conseguem salvar um filhote, o peso emocional é real. Cobertos de suor pelo calor e sujeira dos Filhotes curiosos que sobem em seus ombros e pernas, os cuidadores enfrentam ferimentos de garras assustadas e defensivas. Mas para Woodside e Priest, aqueles Filhotes desesperados que chegam precisam de um impulso inicial — e o internato oferece exatamente isso.
Quando o treinamento não basta: os filhotes que não sobrevivem
Nem todo filhote que chega ao resgate consegue completar o programa. Alguns morrem sob os cuidados da equipe, apesar de todos os esforços na tentativa de reabilitar os animais. Esses casos deixam marcas emocionais nos reabilitadores, que realizam uma segunda cerimônia para abençoar e espalhar as cinzas dos animais que não sobreviveram.
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