Quase cinco anos após a morte de Marília Mendonça, quarto da cantora é recriado com sua cama, seus perfumes e objetos pessoais para receber visitantes

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Quase cinco anos após a morte de Marília Mendonça, quarto da cantora é recriado com sua cama, seus perfumes e objetos pessoais para receber visitantes
Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Um quarto com cama, perfumes e pertences pessoais foi recriado no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, para reconstituir a intimidade de Marília Mendonça. A montagem integra a exposição Marília Mendonça – Sentimento Louco, em cartaz desde 9 de outubro e com entrada gratuita às terças-feiras.

Roupas, diários, óculos, colares e violões da artista goiana integram o acervo, distribuído por cerca de 1.000 m² em dois andares do museu, na Avenida Europa. A mostra segue em cartaz até 29 de novembro e marca a proximidade dos cinco anos da morte da cantora, ocorrida em 5 de novembro de 2021, num acidente de avião.

A mostra é a primeira grande homenagem dedicada à carreira da artista que deu às mulheres um lugar central nas letras do sertanejo.

De Cristianópolis aos primeiros versos

Marília Mendonça nasceu em 22 de julho de 1995, em Cristianópolis, Goiás. Um violão dado pelo avô, quando ela tinha 11 anos, levou-a às primeiras apresentações numa igreja da cidade.

Aos 13 anos, já escrevia versos sobre memória e herança afetiva, que dariam origem a uma de suas canções mais lembradas. Antes dos 18 anos, composições suas circulavam entre nomes conhecidos do sertanejo, como Cristiano Araújo e Wesley Safadão.

A virada de compositora a intérprete

Apenas aos 18 anos a cantora assumiu o microfone para interpretar o que até então emprestava a outras vozes. Foi quando surgiu a imagem que a acompanharia na carreira: a “rainha da sofrência”, apelido associado a histórias de términos e traições que, segundo ela mesma costumava dizer, terminavam com a mulher em posição de força.

A curadora da mostra, Isa Pessoa, descreveu a artista como um fenômeno cultural que redefiniu o sertanejo e o papel feminino no gênero. Segundo ela, Marília construía histórias baseadas em mulheres de sua convivência. A composição Infiel, por exemplo, foi inspirada numa traição violenta vivida por uma tia da cantora.

Um percurso sensorial pelo museu

Além do quarto reconstituído, a exposição percorre fases da vida da artista, da infância goiana aos palcos lotados pelo país. O trajeto também inclui registros pouco conhecidos do público, que mostram aspectos de sua trajetória raramente vistos na mídia.

O projeto Todos os Cantos, que a cantora desenvolvia antes de morrer, também entra na exposição. A iniciativa previa a gravação de uma música inédita em cada estado como forma de retribuição ao público. As canções de sofrência, nesse contexto, aparecem menos como lamento e mais como símbolo de resistência para quem se reconheceu nelas.

Por que as letras de Marília funcionavam tão bem com o público

Segundo a curadora da exposição, Marília Mendonça construía histórias baseadas em mulheres de sua própria convivência — abandono que sua mãe viveu, traições que suas tias sofreram. Quando escrevia, não inventava dramaturgias abstratas, mas transformava em verso aquilo que via acontecer ao seu redor.

Sobre o autor

Laura Silveira

Rádio Itatiaia

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