Turismo

Conflito no Oriente Médio trava voos, encarece passagens e redireciona turismo para o Brasil

Com voos suspensos, custos em alta e remarcações em massa, setor orienta passageiros a avaliar cenário antes de cancelar ou adiar viagens
Conflito no Oriente Médio trava voos, encarece passagens e redireciona turismo para o Brasil
Crédito: Rovena Rosa/ Agência Brasil

Em sua terceira semana, os conflitos envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel vêm causando impactos diretos no turismo internacional, com aumento expressivo nos cancelamentos de voos e nas remarcações de viagens para cidades que são alvo de ataques no Oriente Médio.

O cenário no setor também tem sido marcado pela incerteza no planejamento de viagens corporativas e pela elevação abrupta dos custos operacionais das companhias aéreas em diversas rotas ao redor do mundo.

O presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens em Minas Gerais (Abav-MG), Alexandre Brandão, revela que todos os clientes com viagens marcadas entre o fim de fevereiro (período de início dos combates) e o último dia 8 precisaram remarcar os embarques devido à suspensão dos voos.

“Em um primeiro momento tivemos a paralisação total do sistema aéreo, principalmente em Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e no Catar, grandes centros de conexão para toda a Ásia”, afirma.

Atualmente, porém, após a criação de corredores aéreos seguros, a Emirates voltou a operar seus voos, conforme Brandão. “A Qatar Airways está voltando gradativamente e a Turkish Airlines mantém o fluxo normalmente”, diz.

Embora não consiga apresentar o percentual de cancelamentos e remarcações nos voos com destino às regiões de conflito, Alexandre declara que a expectativa do setor está ancorada na normalização das viagens para a Ásia “em breve”, principalmente por conta da criação de corredores aéreos seguros.

No início do mês, os Emirados Árabes Unidos anunciaram a criação dessas rotas para facilitar o retorno de seus cidadãos e ajudar os visitantes a deixarem o país. A capacidade de operação é de 48 voos de emergência por hora. A Qatar Airways também inaugurou corredores seguros para voos de repatriação em áreas de conflito.

Já em relação ao retorno de viagens para o Oriente Médio, o presidente da Abav em Minas acredita que o cenário não deve se estabilizar em pouco tempo.

Conflitos elevam passagens e impulsionam turismo nacional

Alexandre Brandão explica que, diante do cenário de instabilidade provocado pelos atuais conflitos, rotas que chegam à Ásia passando pela África do Sul, Etiópia, Europa e Estados Unidos podem ser uma alternativa. Entretanto, esses caminhos contribuem para o aumento de quase 20% no preço das passagens.

“Esse cenário, indiscutivelmente, prejudica o turismo internacional. Ninguém vai querer pagar uma passagem que custava R$ 10 mil, mas que, repentinamente, subiu para R$ 14 mil. Duas passagens são R$ 28 mil, valor bastante significativo”, destaca.

Ainda de acordo com o dirigente, o atual panorama do turismo internacional pode favorecer viagens para outras localidades fora das zonas de perigo, além de destinos no próprio território brasileiro.

“Já estamos percebendo um aumento de 10% a 15% para viagens rumo às praias do Nordeste brasileiro e destinos turísticos da América do Sul. As pessoas, inclusive, estão cada vez mais atentas às oscilações do mercado. Já perceberam, por exemplo, que a alta no preço do petróleo contribui diretamente para a subida nos preços da gasolina que abastece os aviões”, pontua.

Esse cenário, conforme Brandão, tem feito os consumidores se anteciparem em relação à compra de pacotes. “Já temos demanda para o Carnaval de 2027”, completa.

Abav-MG recomenda cautela antes de cancelar ou remarcar viagem

A recomendação da Abav-MG para clientes com viagens marcadas para destinos do Oriente Médio ou da Ásia é analisar o cenário antes de decidir pelo cancelamento.

“A orientação que a gente dá é para que a pessoa mantenha o pacote pelo máximo de tempo que puder. Se, porventura, o cenário continuar ruim na véspera do embarque, aí, sim, ela deve tomar as providências que achar cabíveis: cancelar e pedir o reembolso ou remarcar e ficar com um crédito para uma nova data”, defende.

De modo geral, segundo informa Brandão, as companhias aéreas têm oferecido o reembolso integral ou a remarcação da passagem com prazo de até um ano de validade. “Os hotéis também são bem flexíveis. A maioria mantém o crédito para ser usado em outra oportunidade, com prazo de validade de um ano ou a opção do reembolso integral”, conclui.

Agência de viagens corporativas sente impactos da guerra

Proprietário da Maac Travel, agência especializada em viagens corporativas localizada no bairro Gutierrez, na região Oeste de Belo Horizonte, o empresário Gilberto Siqueira afirma que, no último mês, a empresa registrou 80% de remarcações nas passagens com destino a países do Oriente Médio. Em períodos normais, a empresa chega a fazer entre 15 e 20 reservas por mês para os destinos atualmente em crise geopolítica.

“As viagens corporativas correspondem a cerca de 85% do volume dos nossos serviços. Diferentemente de um passageiro que vai a turismo, aquele que viaja a trabalho precisa viajar. Então, todas as empresas optam por remarcar a viagem ao invés de cancelá-la”. Nesses cenários de crise, de acordo com Siqueira, as companhias aéreas não estão cobrando pelo cancelamento, nem pela remarcação, desde que a nova passagem seja emitida na mesma classe da anterior.

Ainda conforme o empresário, os casos de remarcação têm sido mais recorrentes em cidades como Istambul (Turquia), Doha (Catar) e Dubai (Emirados Árabes Unidos). “Tivemos passageiros que, no início dos conflitos, estavam em Istambul e Dubai. Conseguimos embarcá-los a tempo. Onde havia conexão e voo, eles foram realocados. Estamos dando um suporte bem próximo aos clientes neste momento”, conclui.

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