Palácio das Artes: evento inspirado em Carolina Maria de Jesus tem literatura, cinema e artes visuais
A literatura se prepara para unir-se a outras linguagens artísticas. O Palácio das Artes, em Belo Horizonte, vai receber a segunda edição do projeto Festa da Palavra (Luz-Palavra- Imagem) Bitita, de quinta-feira a domingo (19 a 22 de março). É um evento gratuito para vários públicos e propõe a interseção da palavra com o audiovisual, por exemplo. A abertura oficial é às 18h nesta quinta-feira, na Sala Juvenal Dias, com visita guiada a uma exposição já em cartaz.
Inspirado em Carolina Maria de Jesus, Bitita (apelido de infância da autora e título de um de seus diários) nasce como um gesto de reconhecimento à potência de uma mulher que escreveu a partir da margem e transformou sua própria vida em literatura. Nesta edição, o projeto amplia a proposta e investiga a palavra expandida, em diálogo com a luz, a imagem e o audiovisual, reunindo mostra de cinema, exposição, mesas de debate, oficinas, lançamento de livros e projeções de poesia visual. O projeto tem patrocínio da Cemig via Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com apoio da Fundação Clóvis Salgado e do Circuito Liberdade.
Segundo a realizadora Luciana Salles, a segunda edição marca um avanço conceitual do projeto. “Nesta edição da Bitita, propomos pensar a palavra em diálogo com a luz, com o cinema e com as artes visuais, ampliando as formas de leitura, fruição e reconhecimento da palavra como elemento disparador de muitas realidades”, diz. De acordo com ela, na primeira edição o foco estava na formação de novos leitores, especialmente do público infantojuvenil.
“Agora, o projeto avançou para a ideia da palavra expandida em diferentes formas de expressão. A homenagem à Carolina segue absolutamente atual porque fala de uma mulher cuja palavra é matéria viva. Hoje, sua vida e obra se multiplicam em diferentes formas de expressão, reaparecendo no cinema, no teatro, nas artes visuais, na música, nas ruas e nos encontros coletivos. Nessa pluralidade, Carolina tornou-se figura polifônica e multifacetada”, completa a realizadora.
Para o curador-geral do projeto, Renato Negrão, a ideia desta edição é criar uma experiência imersiva: “Bitita propõe uma experiência em que a palavra se torna luz, imagem e movimento. A programação reflete um fazer artístico híbrido, antropofágico, que atravessa linguagens e tensiona narrativas hegemônicas. É um convite à escuta, ao olhar e à construção de sentidos a partir da pluralidade”.
Um dos grandes destaques desta edição é a exposição “A primeira vez que voei foi na pág. 35”, a primeira individual da artista Maré de Matos em Belo Horizonte, que já está em cartaz na Galeria Mari’stella Tristão, no Palácio das Artes. A inauguração foi no dia 10 de março, e a mostra permanece aberta ao público até 26 de abril, ainda como parte da programação da Bitita.
Artista transdisciplinar, Maré de Matos articula artes visuais, literatura e audiovisual em uma pesquisa que atravessa memória, corpo, afetos e linguagem. Durante a Festa da Palavra, a artista também vai participar de sessões de cinema e de mesa de debate dedicada à leitura de sua obra.
Mostra de cinema
A mostra de cinema, um dos eixos centrais desta edição, tem curadoria da Pimenta Filmes, assinada por Alexandre Pimenta e Beatriz Goulart, e reúne clássicos do cinema brasileiro, produções contemporâneas, filmes experimentais, mini documentários e videopoemas que dialogam com literatura, artes visuais, memória, corpo, identidade e ancestralidade.
Para os curadores, o cinema ocupa um lugar estratégico na proposta do projeto. “O cinema está no centro desta edição da Bitita porque é um campo privilegiado de encontro entre palavra, imagem e política. A mostra articula obras de diferentes épocas e formatos para evidenciar como o audiovisual pode reescrever histórias, dar visibilidade a vozes silenciadas e ampliar as formas de narrar o mundo a partir de perspectivas plurais e insurgentes”, comenta Pimenta.
A programação completa pode ser acessada no Instagram @bititafestadapalavra.
Ouça a rádio de Minas