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Exposição ‘Bonecos Giramundo’ atrai quase 14 mil visitantes no primeiro mês

Evento ocorre na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, no Palácio das Artes, em parceria com a Fundação Clóvis Salgado (FCS)
Exposição ‘Bonecos Giramundo’ atrai quase 14 mil visitantes no primeiro mês
Cerca de 600 bonecos foram restaurados | Foto: Divulgação Giramundo / Bia Apocalypse

A exposição “Bonecos Giramundo”, aberta para visitação no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, trouxe quase 14 mil visitantes à Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard em seu primeiro mês (11 de outubro a 10 de novembro), e marca o resultado de um extenso processo de inventário e restauro do acervo do Giramundo, realizado em parceria com a Fundação Clóvis Salgado (FCS).

Cerca de 600 bonecos, o equivalente à metade do acervo total do grupo, passaram por avaliação técnica, laudos e restauração, em um trabalho que abrange toda a trajetória do coletivo mineiro, desde as criações iniciais de 1971 até a montagem mais recente, “O Menino Bach Visita o Brasil”, de 2024. Desses 600 bonecos, mais de 80%, ou 500 itens, fazem parte da mostra.

Segundo o diretor do Giramundo, Marcos Malafaia, a exposição se distingue por juntar o trabalho de recuperação do acervo a uma experiência expositiva inédita. “A mostra, mais que uma reunião de bonecos, é uma ação de salvaguarda do patrimônio cultural de Minas Gerais e do Brasil. Ela salvou uma boa parte do acervo da completa destruição e inaugurou um novo ciclo de preservação para o grupo”, afirma.

O projeto, que integra a “Ocupação Giramundo”, celebra também os 55 anos do grupo. O trabalho de restauração, iniciado em julho, envolveu doze profissionais diretamente, entre restauradores, museólogos, artistas plásticos e técnicos. Tanto recursos materiais quanto humanos foram mobilizados pela Fundação Clóvis Salgado para oportunizar a expografia, tornando possível, assim, o restauro, que contou com o apoio da equipe da FCS em todas as etapas, do acondicionamento e transporte das peças à montagem da exposição.

O presidente da Fundação Clóvis Salgado, Sérgio Rodrigo Reis, celebra a parceria. “É um orgulho imenso para a fundação – instituição referência na criação, formação, produção e difusão artística no Brasil – poder contribuir de forma decisiva para a restauração do rico acervo do grupo neste ano tão significativo”, destaca.

A diretora artística do Giramundo e filha dos criadores do grupo (Terezinha Veloso e Álvaro Apocalypse), Bia Apocalypse, coordenou o processo e acompanhou de perto cada etapa do trabalho — da identificação dos danos à restauração propriamente dita, passando pelos laudos e chegando ao momento final, em que cada boneco foi cuidadosamente embalado, um a um.

Restauração

“Foi um grande desafio. Restaurar bonecos tão frágeis, especialmente os primeiros criados na década de 1970, exigiu extremo cuidado e um mergulho profundo em nosso acervo de desenhos e projetos originais. Estudamos detalhadamente como as mãos eram construídas, como as estruturas eram montadas, uma verdadeira viagem no tempo”, conta.

O processo seguiu rigorosos critérios museológicos, priorizando a compatibilidade com as técnicas originais de construção e os materiais usados nas épocas de criação. “Contamos com uma equipe dedicada da oficina do Giramundo, que se empenhou intensamente, sob nossa coordenação e com a valiosa orientação da museóloga Danieli Di Mingo e da conservadora e restauradora Rafaela Viana Fialho”, ressalta a diretora artística do grupo.

Grande parte dos bonecos estava com mãos, pés e adereços separados, e foi necessário realizar um trabalho delicado de recomposição. Em alguns casos, as partes perdidas foram substituídas por réplicas, sempre com base em desenhos e materiais de época. Já na fase de restauração, surgiram dilemas entre a preservação do original e a renovação mais profunda das peças.

“Priorizamos a manutenção dos elementos originais, mesmo que desgastados pelo tempo. Nosso compromisso é com a autenticidade da obra”, enfatiza o diretor do Giramundo.

Outro desafio foi lidar com materiais e tintas que deixaram de existir. As soluções vieram de substituições cuidadosas e compatíveis, respeitando a estética e a técnica dos criadores originais. Para o diretor, a restauração representa um novo capítulo na história do grupo.

Exposição “Bonecos Giramundo”

Período expositivo: Até 22 de fevereiro de 2026
Horário: Terça a sábado de 9h30 às 21h, domingo de 17h às 21h
Local: Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard – Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, Belo Horizonte
Classificação indicativa: Livre
Entrada gratuita

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