Espaço histórico da capital mineira é restaurado e reaberto ao público
Um patrimônio histórico e cultural, que fica no bairro Floresta, bem à vista de quem passa pelo viaduto próximo ao Centro, está de volta a Belo Horizonte. Ele é imponente e foi construído em 1894 durante a implantação da nova capital mineira. O Grande Galpão da Casa do Conde de Santa Marinha será reinaugurado nesta quarta-feira (25) pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) após a realização de obras de conservação viabilizadas com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A intervenção vai devolver à Capital um importante marco de sua história ferroviária e cultural, integrando o Conjunto Arquitetônico da Praça da Estação. As obras contemplaram serviços de manutenção e conservação, incluindo cobertura, pintura, reparos no forro de gesso e melhorias nos sanitários, dentre outros. Os investimentos chegaram a mais de R$ 700 mil e foram executados pelo Iphan.
Na solenidade de reinauguração, marcada para às 15h, haverá também o lançamento do projeto “Memórias da Capoeira em Minas Gerais: A Voz dos Mestres e das Mestras”, em parceria com o Laboratório Audiovisual Saberes Tradicionais da UFMG e o Coletivo de Salvaguarda da Capoeira de Minas Gerais.
História
O Complexo da Casa do Conde de Santa Marinha, que reúne a Casa do Conde e o Grande Galpão, foi construído em 1894 pelo industrial português Antônio Teixeira Rodrigues, o famoso Conde de Santa Marinha. O Complexo constituiu-se inicialmente como um conjunto de galpões destinado a abrigar o Grande Empório Central, empresa que abrangia diversos tipos de serviços, tais como serraria, oficina de cantaria, fundição, ferraria, carpintaria e até mesmo armazém com torrefação de café.
O espaço surgiu, então, no contexto de construção da nova capital, inaugurada em 1897, não se sabendo se o Palacete chegou a ser ocupado pelo Conde e sua família, segundo historiadores. O destino imediato do Complexo, após a morte do Conde, é desconhecido. A primeira notícia que se tem remonta a 1903, quando o Palacete foi ocupado pelo Colégio Santa Maria, que ali permaneceu até 1909.
A partir desta época, o espaço foi sendo paulatinamente ocupado pela Estação de Ferro Central do Brasil: abrigou a Seção do Café (1911), serviu de residência para o intendente da Rede Ferroviária (meados dos anos 1910) e, em 1920, com a demolição da antiga estação ferroviária para a construção de uma nova, serviu como escritório da Seção de Construção da Central do Brasil.
Mantendo-se como escritório da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) – criada na década de 1950 com a extinção da Central do Brasil – até meados da década de 1990, abrigou a partir de 1989 o Museu da Ferrovia, destinado à preservação e divulgação da memória ferroviária no país.
Com a privatização da RFFSA, em 1996, o Complexo ficou abandonado até que, em 2000, em um convênio firmado entre o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG) e uma empresa de promoções e eventos, realizou-se em suas dependências a Casa Cor 2000, evento que impulsionou a revalorização de tão significativo exemplar arquitetônico e simbólico de Belo Horizonte.
Inserido no Conjunto Arquitetônico da Praça da Estação, o espaço abriga, desde 2005, a Superintendência do Iphan em Minas Gerais. A Casa do Conde, o chamado casarão, por sua vez, também contará com obras de conservação e restauração, cujos projetos estão em elaboração.
Obras do PAC
Em Minas Gerais, o Novo PAC contempla quase 70 ações voltadas à preservação do patrimônio cultural, somando investimentos de aproximadamente R$ 300 milhões em iniciativas de restauração, conservação e valorização de bens culturais em todo o Estado, entre igrejas históricas e outros acervos. (Com informações do Iphan)
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