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#UmLambePorDia ganha as estradas de Minas e leva poesia urbana ao interior

Coletivo celebra 10 anos expandindo arte e oficinas gratuitas por dez cidades mineiras, provocando o cotidiano e valorizando a cultura local
#UmLambePorDia ganha as estradas de Minas e leva poesia urbana ao interior
Foto: Samuca Fisher

O coletivo #UmLambePorDia, criado em Belo Horizonte, celebra uma década de atuação com um projeto inédito: levar sua produção de arte urbana para o interior de Minas Gerais. A iniciativa, intitulada #UmLambePorDia na estrada, começa no dia 18 de abril e vai passar por dez cidades, com programação gratuita que inclui murais, oficinas e intervenções artísticas.

Idealizado pelo escritor e produtor cultural Leonardo Beltrão, em parceria com a artista Julia Branco, o projeto surgiu em 2015 a partir da colagem de frases poéticas em espaços urbanos da capital mineira. Desde então, já foram mais de 20 mil lambes espalhados por diferentes cidades brasileiras, consolidando o coletivo como uma referência na arte urbana independente.

A nova circulação será dividida em três eixos regionais (Norte, Triângulo e Sul) e contempla municípios como Pirapora, Montes Claros, Diamantina, Uberlândia e São João del-Rey. Em cada parada, o público terá acesso a três frentes principais: instalação de murais em espaços de grande circulação, oficinas abertas de criação poética e colagem, além de intervenções que misturam música e literatura.

Segundo Beltrão, a proposta vai além da expansão territorial do projeto. “Levar o projeto para esses territórios é reconhecer que a cultura mineira não se concentra apenas na capital. Ela pulsa nas cidades menores, nas praças, nas feiras, nas conversas de rua”, afirma.

Entre arte e poluição visual

A presença do lambe-lambe nas ruas ainda desperta diferentes percepções. Para Beltrão, o debate sobre poluição visual é legítimo, mas precisa ser contextualizado.

“Existem vários tipos de lambe-lambe: de propaganda, poéticos, de design. É natural que uma parcela da sociedade veja isso como poluição visual, até porque em algumas cidades essa prática é proibida”, explica.

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Por outro lado, ele destaca o avanço no reconhecimento da arte urbana. “Hoje, diversas cidades têm políticas de incentivo às artes de rua, que já são reconhecidas como manifestações culturais legítimas. Nesse sentido, talvez seja um equívoco tratar tudo como poluição. Muitas vezes, o lambe vem para provocar o cotidiano, trazer uma mensagem inesperada, um respiro no meio do caos urbano”.

O idealizador reforça ainda que todas as ações do projeto são realizadas de forma autorizada. “O projeto só acontece com autorização prévia. Os murais serão instalados em espaços públicos e privados, como centros culturais, escolas e bibliotecas, sempre em diálogo com as prefeituras e gestores locais”, detalha.

Oficinas abertas e inclusão

Outro destaque da circulação são as oficinas, que não exigem experiência prévia e são abertas a participantes de todas as idades. “Costumo dizer que são de 0 a 99 anos. A ideia é justamente ser um primeiro contato com o lambe-lambe, de forma acessível e sensível”, afirma Beltrão.

Conduzidas por Julia Branco, as atividades combinam poesia, música e prática artística, resultando na criação de murais coletivos em cada cidade visitada.

Os participantes também recebem a chamada “Caixa de Lambes”, com 20 peças poéticas, rolinho, cola e orientações básicas, incentivando que a experiência ultrapasse as oficinas e continue nas ruas.

Os participantes receberão um kit com 20 lambes poéticos, rolinho, cola branca e um guia simples com orientações para a colagem
Os participantes receberão kit com 20 lambes, rolinho, cola e um guia com orientações / Foto: Mell Flores

A circulação também incorpora medidas de acessibilidade, como audiodescrição dos murais via QR Code, intérprete de Libras nas oficinas e registros em vídeo com legendas. A proposta é ampliar o acesso e reforçar o caráter democrático do projeto.

Para os organizadores, a iniciativa reafirma o papel da arte urbana como ferramenta de conexão com o cotidiano. Ao ocupar ruas, praças e espaços públicos com poesia, o #UmLambePorDia propõe não apenas intervenções visuais, mas novas formas de olhar e experimentar a cidade.

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