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Jeep Commander Blackhawk é um utilitário esportivo de verdade

A única versão com o motor 2.0 turbo de 272 cv acelera de 0 a 100 km/h em 7 segundos
Jeep Commander Blackhawk é um utilitário esportivo de verdade
Foto: Amintas Vidal

Quando a Fiat comprou a Chrysler, o maior ativo da aquisição foi a Jeep, marca referência mundial em veículos utilitários esportivos (SUVs), segmento em que a italiana não tinha a menor tradição.
No Brasil, além desta notoriedade, a Jeep desfruta do status de marca premium, herança do prestígio alcançado por seus modelos importados nos idos dos anos de 1990.

Os três SUVs nacionais da Jeep mantiveram a qualidade dos modelos pioneiros, esforço recompensado por liderança ou pódios destes automóveis no mercado brasileiro.

O Commander Blackhawk, versão esportiva do SUV de sete lugares que entrega o máximo de sofisticação e desempenho, é o automóvel mais completo produzido pela Jeep no Brasil.

Veículos recebeu o Jeep Commander Blackhawk, ano 2026, para avaliação. Seu preço é R$ 336,49 mil, na cor sólida preta. Cores metalizadas e perolizadas são cobradas à parte.

Seus equipamentos diferenciados são: teto solar panorâmico e retrátil; multimídia de 10,1 polegadas conectado à internet e com GPS nativo; som Harman-Kardon de 450W; painel full digital de 10,25 polegadas; carregador de celular com ventilação; ar-condicionado dual zone com ajuste de intensidade para as fileiras traseiras; bancos elétricos com memória do ajuste para o motorista; abertura elétrica do porta-malas; rodas na cor preta acetinada e pneus seal inside 235/50 R19.

Jeep Commander Blackhawk
Foto: Amintas Vidal

Em termos de segurança, os principais sistemas são: aviso de colisão frontal com frenagem de emergência; aviso de mudança de faixas com correção de trajetória; monitoramento de pontos cegos e de tráfego cruzado; piloto automático adaptativo; comutação automática do farol alto; sistema de estacionamento semiautônomo; reconhecimento de placas e câmera 360°.

Motor e câmbio

O motor desta versão é o Hurricane 4, movido à gasolina. Ele tem turbocompressor de baixa inércia, válvula de alívio eletrônica e refrigeração dos gases do seu escapamento.

Feito em alumínio, seu comando é duplo, tracionado por corrente, e tem abertura variável das válvulas. Ele rende 272 cv de potência às 5.200 rpm e 40,8 kgfm de torque máximo às 3.000 rpm.

Seu câmbio é automático de nove marchas com acoplamento por conversor de torque. A transmissão conta com tração 4×4 sob demanda ou dedicada para areia, lama ou neve. Existem padleshifiters atrás do volante para a comutação manual das marchas.

Pesando 1.886 kg e com relações de 6,93 kg/cv e 46,22 kg/kgfm, o Commander Blackhawk acelera de 0 a 100 km/h em 7 segundos e atinge 220 km/h de velocidade máxima.

Espaço

Os bancos traseiros do Commander também são diferentes. Os da segunda fileira são bipartidos e se deslocam 14 cm sobre trilhos.

Os dois localizados no porta-malas são escamoteáveis e independentes. Os encostos de todos estes bancos reclinam alguns graus. Nos bancos dianteiros o espaço é amplo.

Na segunda fileira, ele pode ser ampliado para aproveitar a maior distância entre-eixos ou reduzido ao mínimo necessário, visando dar mais comodidade aos dois passageiros da terceira fileira. Lá, o piso é alto e o espaço é restrito.

Isto é, o SUV é muito espaçoso. Quatro adultos e uma criança têm área de sobra para cabeças, ombros e pernas.

Mas, os bancos extras são mais apropriados para crianças. Entrar e sair do “fundão” exige esforço e flexibilidade, dificuldade comum em modelos concorrentes.

Segundo a Stellantis, com os sete bancos ocupados, o espaço de bagagem do Commander é de 233 litros.

Com cinco pessoas a bordo, o porta-malas comporta 661 litros. Com apenas duas pessoas na frente, o espaço traseiro é de 1.760 litros.

Tecnologias

O Commander Blackhawk traz o que há de melhor na Stellantis brasileira. No quadro de instrumentos full digital, quatro layouts priorizam informações completas e corretamente intercaladas.
Ativo, o sistema se altera automaticamente para priorizar as informações mais relevantes, algo raro. No caso desta versão, as páginas têm um grafismo específico, mais esportivo.

O multimídia é dos mais completos existentes. Grande e rápido, ele tem internet a bordo e GPS embarcado.

Este conjunto permite informações de trânsito on-line, conexão com central de atendimento, monitoramento e ativações via app e uso da internet com auxílio Alexa.

Jeep Commander Blackhawk
Foto: Amintas Vidal

O equipamento de som da marca Harman-Kardon é mais sofisticado do que o da Bose utilizado no Compass.

Nele, as diversas frequências são ouvidas mais claramente, o som fica mais limpo. Também potente, reproduz músicas em streaming em altos volumes, mas seus graves são menos fortes.

Digital e de dupla zona, o sistema de refrigeração é eficiente, mas sofre por ter saídas elegantes, porém estreitas. Saídas traseiras com regulagem da ventilação amenizam limitação.

Adas

O conjunto de auxílios à condução é completo e funciona muito bem. O ACC é preciso e tem stop and go.

O alerta do ponto cego notifica rapidamente. Já a correção de saída com centralização nas faixas de rodagem é eficiente, mas poderia ser mais bem calibrada.

Os sensores de estacionamento dianteiro/traseiro e a câmera 360° (novidade para o modelo), formam um dos melhores sistemas de auxílio às manobras, mas os conjuntos chineses são superiores.
O volante multifuncional traz comandos na frente e atrás. A direção elétrica garante leveza em manobras, mas perde a assistência mais rapidamente do que o ideal.

Porém, este peso prematuro em velocidades intermediárias combina com a dinâmica esportiva da versão Blackhawk.

Acerto dinâmico e esportividade saltam aos olhos, mas prejudicam o conforto

Falando nisso, o comportamento dinâmico é o que diferencia a Blackhawk das outras versões.
Para a versão corresponder à potência do motor, amortecedores e molas foram recalibrados, os freios receberam discos maiores, pinças especiais e bomba de vácuo nova.

O sistema de escapamento foi redesenhado, ganhando um ronco específico e duas saídas reais.
Este acerto acústico é a primeira diferença percebida. Mais alto e mais grave que o normal, ele não deixa esquecer que a versão é esportiva, até em marcha lenta.

Sua afinação é equilibrada, não incomoda no uso cotidiano, mas empolga o motorista em acelerações fortes.

Jeep Commander Blackhawk
Foto: Amintas Vidal

Basta sair da inércia para sentir o acerto das suspensões. Mais rígido, o sistema faz a carroceria trabalhar na vertical em frequência mais alta e curso mais curto, sem flutuar.

Em curvas, ela aderna pouco para o tamanho e altura do modelo. A estabilidade direcional impressiona.

Esportividade

Estes acertos e o peso da direção, relativamente alto, elevam bastante a esportividade do modelo, mas tornam a Blackhawk a versão menos confortável do Commander, diferença justificada pelo desempenho propiciando pelo motor Hurricane.

Assim, o rodar fica áspero, o atrito dos pneus é sentido na carroceria e ouvido o tempo todo. A versão Blackhawk não é silenciosa nem suave, quando comparada com as demais.

Mesmo o motor não contando com torque máximo antes das 3.000 rpm, com um mínimo curso do acelerador ele desloca o SUV médio como se fosse um compacto esportivo.

Conseguimos acelerar de 0 aos 100 km/h em 7,2 segundos, em um dia quente e sem desligar o controle de tração, marca que confirma a esportividade desta versão.

Nesta aceleração máxima, as trocas ocorrem às 5.800 rpm, já dentro da faixa vermelha do conta-giros.
Em curvas, às suspensões apoiam após pouca inclinação da carroceria, a frente do SUV aponta rápido para um modelo tão longo e o traçado é feito com ótimo controle direcional.

Muito provavelmente, o sistema distribui um pouco de potência para o eixo traseiro, evitando a perda de tração no eixo dianteiro.

Agressividade

“Pilotar” mais agressivamente é muito prazeroso. Usar as aletas para comutar as marchas manualmente deixa a “tocada” ainda mais esportiva, pois o sistema permite que as marchas sejam reduzidas, mesmo ocorrendo grande aumento na rotação do motor.

Se essa programação do câmbio ajuda muito na desaceleração, os freios ainda mais. O sistema de freio redimensionado retém a Blackhawk com menos carga sobre pedal e em distâncias semelhantes ou menores, apesar da massa superior desta versão.

Em estradas, o regime de rotação é baixíssimo. Aos 90 km/h, na oitava marcha, o motor trabalha às 1.750 rpm.

Aos 110 km/h, na nona marcha, aos 1.480 rpm. Contudo, é possível circular aos 120 km/h no mesmo regime de rotação que aos 90 km/h.

Essas relações longas permitem o deslocamento por inércia, contribuindo com o consumo. Mas, a aspereza das suspensões e o barulho dos pneus deixam desconfortável o deslocamento de cruzeiro da versão Blackhawk.

Como em todo esportivo de verdade, o conjunto de ruídos e vibrações combina mais com velocidades superiores, condição em que essas características ficam pertinentes ao desempenho da Blackhawk.

Consumo

Em nosso teste padrão de consumo rodoviário realizamos duas voltas de 38,7 km, uma buscando manter os 90 km/h e, outra, os 110 km/h. Na volta mais lenta, atingimos 15,1 km/l e, na mais rápida, 12,0 km/l.
No teste de consumo urbano rodamos por 25,2 km em velocidades entre 40 e 60 km/h, fazemos 20 paradas simuladas em semáforos e vencemos 152 metros de desnível. A versão conseguiu uma média de 6,8 km/l.

O Commander Blackhawk tem o segundo melhor desempenho entre os SUVs nacionais da Jeep, só perdendo para o Compass Blackhawk.

Comparado aos seus concorrentes diretos, quase todos importados, ele entrega muito espaço para pessoas e bagagens e é o modelo de sete lugares mais divertido do mercado.

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