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Kwid Iconic substitui versão Intense Pack Biton na linha 2026

Hatch da Renault é um dos poucos modelos, no Brasil, ainda abaixo dos R$ 100 mil
Kwid Iconic substitui versão Intense Pack Biton na linha 2026
Foto: Diário do Comércio / Amintas Vidal

O Renault Kwid continua viabilizando as operações da Renault no Brasil. O subcompacto é o seu modelo mais vendido há oito anos. No período de transição em que a marca se encontra, ele tem sido fundamental.

Ao voltar a produzir carros com qualidade semelhante à de seus modelos europeus, a Renault deverá figurar novamente entre as cinco montadoras com maior número de unidades vendidas.
Enquanto os utilitários esportivos Kardian e Boreal e a futura picape Niagara não atingem seu potencial, o Kwid paga as contas.

Veículos recebeu o Renault Kwid Iconic, modelo 2026, para avaliação. Seu preço sugerido é de R$ 85,19 mil na cor branca. As cores prata ou cinza custam R$ 1,50 mil a mais sobre o valor inicial.

Completa de série, os principais equipamentos da versão são: multimídia com espelhamento por fio; ar-condicionado; retrovisores elétricos; câmera de marcha à ré; direção elétrica; sistema stop-start; revestimento dos bancos em material sintético misto e rodas em liga leve com pneus 165/70 R14.

Em termos de segurança, ele traz: controle de estabilidade e de partida em rampa; DRL em LED; quatro airbags; freios ABS; sistema Isofix; monitoramento da pressão dos pneus e aviso de cintos desafivelados.

Motor e câmbio

O motor 1.0 de três cilindros tem injeção multiponto, comando tracionado por corrente e gera 71/68 cv às 5.500 rpm e 10/9,4 kgfm às 4.250 rpm com etanol e gasolina, respectivamente.

Seu câmbio é manual de cinco marchas e a embreagem é do tipo monodisco a seco. Segundo a Renault, ele acelera de 0 a 100 km/h em 13,5 segundos e atinge a velocidade máxima de 156 km/h.

Reestilizado em 2023, o Kwid Intense ganhou o opcional Pack Biton. Ele elevava o preço da variante para próximo ao valor da versão Outsider. Na linha 2026, a Iconic substitui a versão Intense com esse opcional.
Teto e retrovisores na cor preta são diferenciais que já faziam parte do Pack Biton na versão Intense.
Rodas nessa mesma cor, emblemas e faixas em amarelo neon e adesivos geométricos nas laterais são as novidades da Iconic.

Interior

O interior não mudou. Os bancos revestidos com material sintético que imita couro, conjugado com partes em tecido, e costuras e desenhos em linha na cor azul são comuns à Intense e à Iconic.
No mais, as cabines são iguais em todas as versões. Todas as superfícies são rígidas, nada é macio ao toque. Apenas revestimentos, detalhes cromados ou em preto brilhante diferenciam seus acabamentos.

O Kwid é um hatch subcompacto com design de SUV. Antes da reestilização, o estilo era mais de Jeep. Agora, o visual é o dos SUVs mais atuais: DRL afilado na parte superior e os faróis embutidos no centro do para-choque.

Renault Kwid Iconic
Foto: Diário do Comércio / Amintas Vidal

Apesar da aparência, o Kwid não é o “SUV dos compactos”, como propagado. Mas é o subcompacto com o maior espaço interno do mercado e seus números para o fora de estrada estão entre os melhores.

Espaço

O painel curto e chanfrado na parte inferior deixa muito espaço nos bancos da frente, até para duas pessoas mais altas. Atrás, mais dois adultos viajam com conforto.

No centro desse banco, só cabe uma criança. Em todas as posições, a largura restrita do modelo deixa os ombros próximos ou encostados.

O porta-malas impressiona para um subcompacto e comporta 290 litros. O porta-luvas é igualmente amplo e tem luz, mas o compartimento fica muito recuado, deixando os objetos longe do alcance do motorista.

Com 185 mm de vão livre, 24,1° de ângulo de entrada e 41,7° de ângulo de saída, o Kwid passa por lombadas e entra em garagens sem raspar o fundo e os para-choques.

Off-Road

Na terra, esses números avantajados e o baixo peso (820 kg) ajudam nas transições de facões e a não atolar na lama.

Suas outras medidas são: 3,68 metros de comprimento; 1,58 metro de largura; 1,48 metro de altura e 2,42 metros de distância entre eixos. No tanque cabem apenas 38 litros; ele suporta 375 kg e não pode rebocar carretinhas.

O Kwid é um subcompacto de entrada com as vantagens e limitações desses adjetivos. Por ser pequeno, todos os comandos estão à mão e são rapidamente alcançados e manuseados.

Apesar do ajuste de altura dos cintos dianteiros, faltam regulagens na coluna de direção e de altura no banco do motorista. Mas, para um condutor com 1,70 metro, a ergonomia é muito boa.

Renault Kwid Iconic
Foto: Diário do Comércio / Amintas Vidal

Porém, incomoda a proximidade entre os pedais do freio e do acelerador e a posição baixa deles. Dependendo do calçado, ao acelerar é comum encostar levemente no pedal de freio.

Ao pisar nesse pedal, costumamos empurrá-lo com o centro do pé e não com a parte frontal, a mais correta.

Visibilidade

As colunas “C” muito largas e o vidro traseiro pequeno restringem a visibilidade traseira.
A câmera de marcha à ré ameniza essa limitação, mas também deveria haver sensor traseiro de aproximação.

Os equipamentos de bordo têm botões físicos para quase todas as operações, recurso mais eficiente.
O multimídia de 8 polegadas tem brilho, definição e sensibilidade ao toque na média do mercado, sem destaques. O equipamento se manteve estável na conexão, mas o espelhamento só é feito por cabo. Aplicativo nativo registra níveis de aceleração, antecipação e trocas de marchas, avaliando o motorista.

Por ser uma nova versão e não um opcional, modelo passou a valer a pena

O sistema de som do Renault Kwid Iconic, ano 2026, é básico. Tem apenas dois alto-falantes sobre o painel que criam uma acústica de palco.

De uso cego, o mais seguro, o controle satélite do sistema de áudio e telefonia existe desde os anos 1990. Ele ganhou função para atender chamadas de celular, recurso inexistente naquela época.
O quadro de instrumentos aboliu os ponteiros. Ao centro, ele é digital, mostrando a velocidade em número muito legível e informações do computador de bordo e outros dados em caracteres menores.

A rotação do motor, a temperatura do arrefecimento e o nível do combustível são indicados em escalas de luzes. Este recurso aparenta tecnologia, mas é impreciso, pois as indicações são pouco fracionadas.
O ar-condicionado manual resfria rapidamente e mantém a temperatura de forma estável. Porém, nos dias mais quentes, falta maior volume na ventilação para cumprir esse trabalho satisfatoriamente.

Rodando

É fácil estacionar e circular em trânsito pesado com o Kwid. A assistência elétrica deixa a direção leve em manobras, porém ela deveria ganhar peso de forma mais proporcional ao aumento da velocidade.
O Kwid é um carro mais leve do que é robusto. Ele se beneficia do baixo peso em seu desempenho e na economia de combustível. Já no conforto de marcha, as suspensões mais rígidas não colaboram.

Esse acerto é necessário, pois a carroceria do Kwid é alta em relação à sua curta bitola. Assim, o seu rodar é áspero, transfere as irregularidades do piso para a cabine, mas o carro se mantém estável.
Mesmo cantando os estreitos pneus, o Kwid não perde o controle direcional em curvas, desde que a condução seja responsável, compatível com a vocação urbana e familiar dos modelos subcompactos.

O simplificado conjunto mecânico do modelo se beneficia da leveza do carro. Com relação de marchas curtas e bem escalonadas, o giro do motor sobe muito rapidamente e ele acelera com agilidade.
O curso da alavanca não é muito longo e os engates não são imprecisos, mas a proximidade entre as posições das marchas dificulta as trocas rápidas sem erros na seleção.

Cidade

Bom para trafegar em cidades, essas relações limitam o deslocamento em estradas. Aos 110 km/h, e de quinta marcha, o motor já está girando entre 3.000 e 3.500 rpm, registradas no impreciso tacômetro.
Essa característica ajuda em manobras de ultrapassagem e mesmo ao usar o freio-motor em reduções, mas o carro fica “amarrado” ao motor, não se desloca por inércia, exigindo uso constante do acelerador.
O Kwid não é silencioso internamente. Pouco aerodinâmico e carente de materiais fonoabsorventes mais robustos, seu conforto acústico é baixo, o esperado nessa categoria.

Por outro lado, ele é econômico, resultado do seu baixo peso somado ao motor de três cilindros.

Consumo

No nosso teste rodoviário padronizado, realizamos duas voltas no percurso de 38,7 km, uma mantendo 90 km/h e outra 110 km/h, sempre conduzindo economicamente.
Na volta mais lenta, o Kwid Iconic registrou 21,3 km/l. Na mais rápida, 17,6 km/l, sempre com gasolina no tanque.

Em nosso circuito urbano, circulamos por 25,2 km, simulamos 20 paradas em semáforos com tempos entre 5 e 50 segundos e vencemos 152 metros de altitude.

Nessas condições severas, o subcompacto finalizou o teste com 12,9 km/l, também com gasolina e ajudado pelo sistema stop-start.

Na linha 2026, a versão Iconic substituiu a Intense Pack Biton. Além de ser esteticamente diferenciada da Intense e ter os mesmos equipamentos, a Iconic é uma versão listada na tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e, assim, não se perde o valor do opcional na hora da revenda, tornando-se uma opção que vale a pena no portfólio do Renault Kwid.

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