Onda de calor aumenta custos de empresas com energia em Minas
A onda de calor que atinge Minas Gerais começa a alterar a rotina das empresas, com impacto direto sobre o consumo de energia e a operação dos estabelecimentos. Embora o aumento da temperatura não signifique, necessariamente, uma elevação da tarifa de eletricidade, a necessidade de manter ambientes climatizados por mais tempo pode ampliar significativamente as despesas, principalmente de pequenos negócios.
Segundo o coordenador de Energia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sérgio Pataca, o impacto é mais perceptível em estabelecimentos que, em períodos de temperatura normal, utilizam pouco ou sequer utilizam equipamentos de climatização. Com a onda de calor, o ar-condicionado, que antes era ligado apenas durante algumas horas do dia, passa a funcionar durante praticamente todo o expediente.
“Imagina um consultório, de psicólogo, por exemplo. Está fresco, abre as janelas. Mas imagina nesse período de calor. A pessoa vai chegar às oito horas da manhã, já vai ligar o ar-condicionado para atender os clientes. E vai sair às 18 horas”, explica.
Pataca estima que um aparelho de ar-condicionado de porte médio possa representar um consumo adicional de cerca de R$ 1 por hora, dependendo do equipamento e das condições de uso. Ao longo de um mês, a diferença pode ser expressiva para empresas que passam a manter os aparelhos ligados durante todo o expediente.
“Se você pensar que cada hora que o ar-condicionado estiver ligado, em média, estamos falando de R$ 1, o consultório que deixa o ar ligado o dia todo e antes não ligava, e que às vezes pagava até tarifa mínima, R$ 80, vai pagar cerca de R$ 300 na conta de energia”, afirma.
Em lojas e outros estabelecimentos comerciais, o efeito também pode ser significativo. Segundo o coordenador da Fiemg, ambientes que antes eram naturalmente frescos podem exigir climatização durante todo o período de funcionamento.
“Uma loja, por exemplo, que às vezes está num ambiente mais fresco, sem ar-condicionado, nesse calor, vai acabar tendo que ligar, senão ela não consegue nem vender”, diz.
O efeito também aparece nas residências, mas Pataca chama a atenção para a diferença entre o uso do chuveiro e o do ar-condicionado. Apesar de o chuveiro ter potência maior, ele costuma ser utilizado durante períodos relativamente curtos. Já o ar-condicionado pode permanecer ligado durante toda a noite ou durante várias horas seguidas.
“Uma potência de ar-condicionado chega à metade de uma potência de um chuveiro, mas o ar-condicionado fica por períodos muito mais prolongados, para realmente dar esse conforto térmico”, afirma.
O cenário ocorre enquanto 623 municípios mineiros estão sob alerta vermelho do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), classificação de grande perigo. Em Belo Horizonte, a maior temperatura de 2026 foi registrada no último domingo (27), quando os termômetros chegaram a 35,6°C, segundo a Defesa Civil municipal, que aponta possibilidade de novo recorde ainda nesta semana.
No contexto geral da economia, o calor acaba gerando oportunidades para segmentos ligados ao consumo de produtos refrescantes. O presidente da Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas da Fiemg, Vinícius Dantas, afirma que bebidas, sorvetes e outros produtos ganham espaço com a mudança do comportamento do consumidor.
“Geralmente a bebida sobe bastante, de 30% a 40% tranquilamente”, afirma Dantas. Segundo ele, o aumento ocorre em diferentes categorias, incluindo sucos, iogurtes, energéticos e produtos proteicos.
O movimento, contudo, não é uniforme. Enquanto bebidas ganham demanda, produtos associados a temperaturas mais amenas podem perder espaço. “O pão mesmo é um deles, o calor às vezes prejudica um pouco”, afirma Dantas. Segundo ele, as pessoas tendem a consumir menos determinados alimentos e substituí-los por bebidas e outros produtos.
A onda de calor também exige maior capacidade de resposta da indústria e do comércio. Dantas destaca que a demanda pode aumentar rapidamente, criando dificuldades de logística e abastecimento, especialmente diante da falta de mão de obra e da necessidade de atender pedidos emergenciais.
“A dificuldade tem sido a logística. A gente hoje sofre muito com isso, a falta de mão de obra dificulta a gente atender de forma urgente. Nós estamos fazendo um esforço para atender”, diz.
O período pré-eleitoral é mais um adendo dificultador. “É uma semana que todo mundo quer abastecer, pois vem aí a eleição. As vendas geralmente são melhores, porque isso prende um pouco as pessoas nas cidades. Ou as levam para o interior, elevando o consumo”, afirma.
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