Vivemos a era da horizontalização dos stakeholders, então, para que o capitalismo consciente seja possível, precisamos de líderes responsáveis, afirmou Aguinaldo Diniz Filho - Crédito: LUCIANO FIGUEROA

Sensibilizar o empresariado mineiro para uma forma mais responsável de produção e consumo, que seja condizente com o sentido amplo da sustentabilidade, foi a missão do presidente do movimento Capitalismo Consciente Brasil, Hugo Bethlem, que esteve ontem em Belo Horizonte.

O encontro, promovido pela Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), teve como tema: “Capitalismo Consciente e o Espírito dos Negócios”.

O evento tratou dos princípios básicos do movimento e anunciou o desejo de colocar Minas Gerais como uma das primeiras praças a receber um capítulo regional do Capitalismo Consciente, junto com o Ceará e o Rio de Janeiro, já na primeira metade de 2020. O movimento nasceu nos Estados Unidos em 2010 e há seis abriu sua primeira representação no Brasil, no Estado de São Paulo.

A prática de um capitalismo consciente considera que a economia deva ser guiada por um propósito, com empresas que buscam um conjunto de valores que vá além do lucro pelo lucro.

Empresas que entendam o lucro como consequência de práticas mais responsáveis, em um processo em que se investe no crescimento social e inclusivo da sociedade, visando a atingir metas mais amplas de maneira mais justa e equilibrada. Para que essa cultura se concretize é necessário que todos os stakeholders – clientes, colaboradores, fornecedores e comunidades em que operam – estejam alinhados com o propósito da empresa.

“A era das empresas que tinham como único propósito remunerar ao máximo ao acionista chegou ao fim. Não é isso que garante a perenidade de uma empresa. As empresas precisam atender todos os seus públicos. O negócio para ser bom precisa criar valor para a comunidade, sendo ético, elevando a existência humana e tirando as pessoas da pobreza”, explicou Bethlem.

Para ele, uma mudança de cultura não acontece de uma hora pra outra, é preciso tempo e cada passo dado é uma vitória. E para que uma empresa evolua na prática do capitalismo consciente a figura de um líder igualmente consciente é fundamental. Os empresários devem ter o objetivo de ajudar outras pessoas e passar isto para toda a cadeia envolvida.

Neste ano, o Instituto apoiou o desenvolvimento da primeira pesquisa Empresas Humanizadas do Brasil. O relatório preliminar mostra que empresas que adotam os fundamentos do capitalismo consciente apresentam rentabilidade duas vezes maior que a concorrência. Esse conjunto de práticas que impactam a sociedade positivamente também reflete em outros aspectos para a empresa, como: alcançam junto aos clientes uma satisfação 240% superior, e os índices de engajamento e bem-estar dos colaboradores chegam a ser 225% maior.

“A mudança não é drástica, é um processo. E o primeiro público de uma empresa são os seus colaboradores. São eles os grandes responsáveis pela retenção de clientes. Se você cuidar das pessoas, elas vão cuidar do seu negócio”, pontuou o presidente do Capitalismo Consciente Brasil.

A embaixadora do Capitalismo Consciente Brasil em Minas Gerais, Francine Pena Póvoa, destacou o surgimento de iniciativas convergentes como a certificação Sistema B, da qual também é embaixadora em Minas.

“Quando comecei a ter contato com essas iniciativas percebi que tinha encontrado a ‘minha turma’. Existe muita coisa acontecendo no mundo e não é por coincidência, é uma sincronicidade que mostra o quanto precisamos mudar a forma de produzir e de consumir. O quanto cada um de nós precisa ser consciente”, pontuou Francine Póvoa.

O presidente da ACMinas, Aguinaldo Diniz Filho, apontou o papel da liderança na solução dos principais problemas que impactam o setor produtivo e, consequentemente, todo planeta: aquecimento global, desigualdade social e desemprego estrutural.

“O capitalismo consciente é uma necessidade que vem para mudar o mundo. Uma empresa capitalista precisa se dar bem com seus pares. Temos que trabalhar para todos os stakeholders. Vivemos a era da horizontalização dos stakeholders, então, para que o capitalismo consciente seja possível, precisamos de líderes responsáveis e eles não precisam estar, necessariamente, dentro das empresas”, afirmou Diniz Filho.