Economia

Vendas de materiais de construção caem 5% em Minas e projeção para 2026 é desafiadora

Mercado espera vendas cautelosas nos próximos meses com impacto do período eleitoral, Copa do Mundo, além da manutenção de juros elevados
Vendas de materiais de construção caem 5% em Minas e projeção para 2026 é desafiadora
Falta de mão de obra está afetando as vendas de materiais de construção | Foto: Reprodução Adobe Stock

O comércio de materiais de construção encerrou 2025 com resultados aquém do esperado, recuando cerca de 5% na comparação com o ano anterior. A queda ainda foi acompanhada por uma retração de 3,5% no volume de vendas, sinalizando menor movimentação de carga e acentuando os desafios do mercado.

As projeções foram realizadas pelo Sindicato do Comércio Varejista e Atacadista de Material de Construção, Tintas, Ferragens e Maquinismos de Belo Horizonte e Região (Sindimaco BH e Região). Para 2026, a entidade avalia um cenário ainda mais desafiador, puxado por eventos como período eleitoral, Copa do Mundo, além da manutenção de juros elevados.

De acordo com o vice-presidente do Sindimaco, Wagner Matos, o comércio em Minas Gerais segue praticamente estagnado, refletindo os efeitos dos juros elevados sobre o consumo, incluindo para construções, reformas e acabamentos. Somado a isso, o setor ainda convive com gargalos, relacionados à falta de mão de obra qualificada e ao encarecimento dos serviços, fatores que seguem prolongando os prazos das obras e elevado os custos.

“Cada novo reajuste acaba sendo repassado ao preço final, criando um efeito em cadeia que pressiona ainda mais a nossa atividade”, acrescenta o dirigente.

Quanto a 2026, a expectativa é ainda mais cautelosa por envolver uma combinação de eventos que contribuem com a redução no ritmo das comercializações. Segundo Matos, os primeiros meses do ano tradicionalmente possuem resultados mais baixos em razão de recessos e Carnaval.

No entanto, o ano ainda contará com um maior número de feriados prolongados, somado à Copa do Mundo e período eleitoral, diminuindo ainda mais o ritmo comercial. O cenário ainda é agravado com a persistência dos juros em patamares elevados e de contextos políticos e econômicos instáveis, que afetam expectativas de novos investimentos.

“2026 tem todos os ingredientes para ser um ano ruim, e a recomendação é de cautela para o comércio e construção civil”, destaca o dirigente.

Programa Reforma Casa Brasil deve injetar R$ 12,3 bilhões no setor

Apesar dos desafios, o setor projeta maior fôlego com a incorporação de iniciativas governamentais, como o Programa Reforma Casa Brasil, que prevê R$ 40 bilhões em crédito facilitado para reformas habitacionais. Segundo estudo encomendado pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), do montante total disponibilizado, a projeção é que R$ 12,3 bilhões cheguem especificamente à indústria de materiais de construção, impulsionando a demanda do segmento no País.

A partir dos aportes, a entidade nacional projeta, em um cenário conservador, um crescimento nas vendas ao longo ano a depender da efetividade e velocidade do programa. Ainda assim, o setor reforça que a ação é encarada como positiva e responsável no âmbito fiscal, já que opera com concessão de crédito ao invés de subsídio.

Em Minas Gerais, segundo Matos, o programa tem potencial de injetar recursos na economia direcionados à categoria, especialmente para pequenas construções e reformas, o que traz um alento para o setor. “São valores mais pulverizados e devem impactar especialmente lojas e prestadores de serviço”, pontua.

Ao contrário de Minas Gerais, a Abramat projeta um cenário mais otimista para 2026, com um crescimento entre 0,9% e 2,9%. A projeção pode ser explicada pelos contrastes regionais, que devem favorecer cidades litorâneas em detrimento dos tradicionais eixos metropolitanos.

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