Juiz de Fora é o único projeto de Minas contratado em leilão bilionário de energia
Minas Gerais teve apenas um projeto contemplado na primeira rodada do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), realizado na quarta-feira (18) na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo. Somente a usina de Igarapava, em Juiz de Fora, teve sua capacidade de fornecimento contratada no leilão.
A proposta do pregão, muito aguardado pelo setor elétrico, é garantir a estabilidade do sistema elétrico nacional e evitar quedas de fornecimento, ou apagões, por falta de geradoras de energia.
A segunda rodada do leilão será realizada nesta sexta-feira (20), também na sede da CCEE. Consultado pela reportagem do Diário do Comércio, o Ministério de Minas e Energia (MME) afirmou que informações sobre outros projetos em Minas Gerais só serão divulgadas durante o novo pregão.
O leilão contou com a presença de grandes players do setor, como Eneva, Petrobras e Âmbar, que, ao lado de outras empresas, tiveram 19 GW contratados para formar a reserva estratégica de geração de energia no País. O deságio médio foi de 5,5%, gerando vantagens para quem conseguiu arrematar os lotes.
“Hoje é um dia histórico para o setor elétrico brasileiro e para os próximos dez anos da segurança energética do Brasil. Nós fizemos o maior leilão de térmicas da história desse País – um leilão que garante, além de segurança energética, modicidade tarifária, maior segurança energética ao nosso Brasil e menores preços para o consumidor”, disse o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Carvão e gás natural
Entre os empreendimentos vencedores do leilão, haverá termelétricas movidas a gás natural e a carvão mineral. Segundo o MME, o principal propósito do pregão foi diversificar as matrizes energéticas brasileiras para manter a segurança energética do Sistema Interligado Nacional (SIN).
As contratações das reservas de energia podem custar R$ 40 bilhões ao ano, o que deve impactar a tarifa média de energia elétrica dos brasileiros em aproximadamente 10%.
Críticas às termelétricas
O coordenador de Mercado de Energia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sérgio Pataca, aponta um equívoco no leilão realizado pelo Ministério de Minas e Energia: o não aproveitamento do potencial hidrelétrico brasileiro em favor de usinas termelétricas a gás natural.
“A gente já tem essa base de hidrelétrica, já tem expertise, e a gente abandonou isso. Hoje a nossa energia de base está indo para a térmica. Esse erro da transição energética é o que o MME, e principalmente o ministro Alexandre, reforçou ao chamar esse leilão de leilão de termelétrica. Não é um leilão de térmica, é um leilão de capacidade. Normalmente essa energia térmica está relacionada a combustíveis fósseis, o que não faz sentido. A gente tem 11% da água doce do mundo. Logo, temos uma vocação muito clara para a energia hidrelétrica”, explica.
Pataca também questiona o uso das térmicas como fonte prioritária, por ignorar a busca por energia limpa – especialmente diante da escolha pelo carvão mineral, material altamente poluente. “Houve usinas de gás natural entre as vencedoras, mas também há usinas de carvão mineral importado, três no total. É uma tecnologia da Revolução Industrial, uma das mais poluidoras do mundo. É um contrassenso”, conclui.
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