Preço do leite reage em março, mas cenário de importação ainda é desafio
A recuperação de preços de importantes derivados lácteos foi fundamental para que a cotação do leite, no campo, apresentasse nova alta. Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em março, referente à produção entregue em fevereiro, houve um reajuste de 6,77% no valor recebido pelo produtor na venda do litro de leite em Minas Gerais. Assim, o preço chegou a R$ 2,20. Apesar da recuperação, o valor ainda está 23,08% menor que o praticado em igual período de 2025.
A tendência para o pagamento de abril é de novo incremento nos preços, alta que será sustentada pela menor oferta do produto e manutenção da valorização dos lácteos no mercado. Por outro lado, o aumento das importações é um risco que pode limitar a valorização.
Os dados do Cepea mostram que a valorização do preço do leite também aconteceu em nível nacional. Na média do Brasil, o litro subiu 5,43% no mês e fechou a R$ 2,14. Mesmo com a alta, o preço ainda está 25,45% abaixo do registrado em fevereiro de 2025, em termos reais.
A analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Mariana Simões, explica que a reação no preço do leite ao produtor em Minas Gerais teve como principal fator a valorização dos lácteos ao longo do mês.
“Conforme apontado pelo Cepea, a alta no preço do leite veio muito como um reflexo da recuperação de preços de importantes derivados lácteos, com destaque para o leite UHT, que foi um derivado que alcançou um dos seus menores preços dos últimos anos e agora passa por um momento de recuperação. Conforme o Conseleite Minas, na parcial de março, houve alta de mais de 12%”.
Ainda segundo a analista, a tendência de alta persiste para o pagamento de abril. “A parcial do Conseleite de Minas já aponta um crescimento de 5,5% no valor de referência do leite entregue em março a ser pago em abril”.
Além da recuperação de preços desses importantes derivados lácteos, Mariana Simões destaca que o momento atual é de menor oferta de leite no campo. Conforme o Cepea, o Índice de Captação de Leite (ICAP-L), referente à entrega de fevereiro, caiu 3,6% na média do Brasil, influenciado pelos resultados em Minas Gerais, Paraná, Goiás e São Paulo.
“Nós temos também uma menor oferta sazonal para o período. Então, nós já alcançamos nos primeiros meses do ano o nosso pico de produção no Estado, em decorrência da chuva e da maior oferta de pastagens. Agora inicia-se o momento de menor oferta nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do País. Esse fator também corrobora com as altas de preços nesse período”, analisa.
Apesar da alta observada no preço, o setor ainda enfrenta desafios, o que exige atenção dos produtores com os custos e eficiência da produção. Entre os principais desafios, estão as importações ainda elevadas, o que impacta diretamente na formação de preços no campo. Em março, o volume de leite importado apresentou alta de 33,3% em relação ao mês anterior e de 31,4% frente a março de 2025.
“As importações seguem sendo um desafio. Em março, o País importou mais de 230 milhões de litros em equivalente-leite, fator que pode corroborar com uma limitação da alta no mercado nacional. Então, embora haja essa redução na oferta, parte desse volume vem compensado pelas altas importações”, conclui a analista da Faemg Senar.
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