Custo da defesa antidrones
A crise deflagrada pelo fechamento do estreito de Ormuz em março trouxe de volta um problema grave que já vinha sendo delineado desde o começo da guerra da Ucrânia em 2022. Há uma assimetria muito grande entre os custos dos drones suicidas, as defesas contra eles, e mesmo os seus alvos. Os suicidas já existiam antes da guerra da Ucrânia, quando eram chamados de “munições de patrulha“(Loitering munition no original). Mas a invasão russa permitiu seu uso em em larga escala. Tais drones tinham sido projetados, inicialmente, para alcances relativamente curtos e alvo de “alto valor”, tais como Harop (200 km de alcance) israelense. Estes sistemas ainda eram caros e só faziam sentido para serem usados em poucos alvos. A guerra permitiu que os dois lados e seus aliados, incluindo o Irã, desenvolvessem tais sistemas em um período relativamente curto de 4 anos. Sistema militares costumam levar décadas de desenvolvimento.
Surgiram drones de longo alcance com preço relativamente baixo, tais como Shahed 136 iraniano, com custo de produção entre US$ 20-50 mil e com alcances de até 2.500 km. Produzidos em massa na guerra da Ucrânia, tem sido comum ver vagas de ataque com centenas de drones, misturados aos mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro. Tal quantidade de “vetores de ataque” saturam as defesas antiaéreas. E muitos destes artefatos acabam passando e atingindo alvos civis e militares.
Outro desenvolvimento foi o de drones com fibras óticas que são praticamente impossíveis de derrubar com guerra eletrônica e ficam vasculhando e patrulhando a região de combate e as rotas logísticas em busca de seus alvos. Alguns pousam por horas ao lado das estradas esperando o momento de atacar. Seu custo pode variar entre US$ 350 – 1.800, e seu alcance é bem mais limitado, entre 15-40 km. As defesas aéreas usando mísseis de alto custo ficaram inviáveis. Um míssil PAC-2 do sistema Patriot custa cerca de US$4 milhões. Só faz sentido para tentar interceptar mísseis balísticos ou hipersônicos, mas no meio de uma vaga de ataque com segundos para identificar e responder isso se tornou impossível.
Na Ucrânia, os dois lados começaram a usar redes de metal para proteger rotas logísticas. Os soldados com frequência solicitam escopetas como última defesa contra os drones. E mais recentemente, balões de hidrogênio começam a voltar ao front para servir de defesa, o que lembra a 1ª Guerra Mundial. O mais comum para abater os drones tem sido o uso de outros drones baratos, metralhadoras embarcadas em helicópteros e aviões turbo hélice com metralhadoras.
O efeito final é uma fase de experimentação onde não está clara qual será a doutrina final mais efetiva na defesa contra os drone suicidas. Surgem diversas oportunidades para empresas que queiram entrar neste mercado, tanto para drones de ataque, quanto para defesa.
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