Economia

Mercado de loteamentos em Minas Gerais fecha 2025 em alta e mira condomínios para crescer

Valor Geral de Lançamentos mais que dobra em comparação anual, impulsionado por condomínios fechados e expansão para o interior e Grande BH
Mercado de loteamentos em Minas Gerais fecha 2025 em alta e mira condomínios para crescer
Crédito: Jomar Bragança

O ano de 2025 foi marcado pelo crescimento expressivo no Valor Geral de Lançamentos (VGL) de loteamentos em Minas Gerais, que mais que dobrou na comparação anual do quarto trimestre, passando de R$ 464 milhões para R$ 933 milhões, alta de 101%. As informações estão no levantamento da Associação das Empresas de Loteamento de Minas Gerais (Aelo-MG) feito em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG).

No acumulado do exercício passado, o VGL alcançou R$ 3,41 bilhões, o maior volume dos últimos quatro anos. Em relação a 2024, quando o indicador somou R$ 2,30 bilhões, o avanço foi de 47,7%.

O desempenho de 2025 foi impulsionado, sobretudo, pelos loteamentos fechados, que registraram crescimento de 138,9% no VGL trimestral, passando de R$ 311 milhões para R$ 743 milhões. Já os loteamentos abertos apresentaram aumento de 23,7%, evoluindo de R$ 153 milhões para R$ 190 milhões no mesmo período.

As vendas também cresceram no acumulado do ano, com alta de 5,7%, passando de R$ 3,02 bilhões em 2024 para R$ 3,19 bilhões em 2025. Os loteamentos fechados tiveram papel relevante nesse resultado, com expansão de 40,6%, de R$ 1,82 bilhão para R$ 2,56 bilhões. Em contrapartida, os loteamentos abertos registraram retração de 47,3%, o que acende um sinal de atenção em relação ao equilíbrio entre oferta e demanda no curto prazo.

Para manter a trajetória ascendente em 2026, o mercado aposta nos loteamentos em condomínios fechados. Segundo o presidente da Aelo-MG, Gustavo Amorim, o mercado está passando por transformações e se concentrando em condomínios fechados.

“Muita gente que fazia bairro aberto, desenvolvendo produtos mais populares, reduziu ou parou, pois o custo ficou alto. Assim, esses projetos deixaram de ser viáveis e as loteadoras estão migrando para condomínios mais estruturados, com controle de acesso e área de lazer, com valor agregado maior”, explica.

Interior e Grande BH

Diante da falta de espaços para novos loteamentos na Capital, o caminho para as empresas é buscar alternativas no interior do Estado e na Grande BH. As cidades próximas da Capital vêm atraindo novos moradores e absorvendo parte da população que deixa a cidade, enquanto o Triângulo Mineiro e o Sul de Minas são regiões onde o segmento enxerga alto potencial de crescimento.

“O Triângulo tem uma vertente de crescimento muito grande, puxada pelo crescimento econômico de Uberlândia. Temos também a Região Metropolitana de Belo Horizonte, impulsionada pelo crescimento demográfico e pelo desenvolvimento das cidades ao redor, já que Belo Horizonte perdeu habitantes no último censo. Essas pessoas estão migrando para bairros novos, com qualidade de vida e mais segurança. Nova Lima é um grande exemplo disso. Podemos citar também Pouso Alegre e Varginha”, comenta o presidente da Aelo-MG, Gustavo Amorim.

Plano Diretor

Para que Belo Horizonte recupere sua força imobiliária e volte a receber novos projetos, a aprovação do novo Plano Diretor da cidade, atualmente em discussão na Câmara de Vereadores, pode ser uma solução, na avaliação de Gustavo Amorim.

“As pessoas não moram no centro por falta de opção, por falta de oferta. Acredito numa boa política pública de incentivo para desenvolver empreendimentos imobiliários também na Capital, fazendo um contraponto a essa expansão que hoje existe apenas nas regiões metropolitanas”, conclui.

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