Indústria de terras-raras e fertilizantes no Alto Paranaíba pode sair do papel
As reservas da Terra Brasil Minerals em Patos de Minas e Presidente Olegário, no Alto Paranaíba, despertam interesse internacional para o desenvolvimento da indústria de terras-raras e fertilizantes. O projeto está em tratativas avançadas com Estados Unidos, Japão e Austrália e deve resultar em um acordo nas próximas semanas, com investimento inicial de aproximadamente R$ 2,5 bilhões.
As informações foram reveladas pelo CEO da Terra Brasil, Eduardo Duarte, em entrevista exclusiva ao Diário do Comércio. A proposta, segundo ele, é formar uma joint venture para implantação de duas plantas simultâneas, uma de fertilizantes e outra de terras-raras, que devem sair do papel em 2027.
A região se desponta como uma das mais promissoras do mundo, já que abrigaria 1,5 vez a reserva total dos Estados Unidos e 3% de todo o estoque global de terras raras. “Estamos em tratativas com governos de alguns países, e a expectativa é assinar o primeiro acordo ainda em abril”, destaca o executivo.
Após a implantação da planta-piloto, a operação deve iniciar a produção em menor escala no ano seguinte, e em 2030 entrar em plena operação. Em quatro anos, a expectativa é que a produção alcance a marca de 10 mil toneladas por ano, com potencial total de extração estimado em mais de 3 milhões de toneladas de terras-raras concentradas.
Segundo Duarte, o avanço do projeto é considerado um marco para a Terra Brasil, que possui o ativo há 15 anos e desenvolve trabalhos de pesquisa minerária. “Após estruturar toda a fase pré-industrial, estamos prontos para iniciar a mineração de um minério rico em fosfato, com rotas próprias para produção de fertilizantes. O projeto também inclui a separação mineral para concentração de terras-raras, com resultados muito promissores”, detalha.
Projeto mira atrair cadeia produtiva de tecnologia para agregar valor ao minério
Diferente da argila iônica encontrada na China, a rocha no Alto Paranaíba está associada à rocha vulcânica kamafugito, rica em minerais, como fosfato, leucita (silicato rico em potássio). Nas jazidas, também são encontrados 15 dos 17 elementos que compõem as terras-raras, com predominância do praseodímeo (Pr), neodímio (Nd), térbio (Tb) e itérbio (Yb).
Esses elementos são estratégicos para a produção de tecnologias, como ímãs permanentes, baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Em plena operação, a ideia é trazer parte da cadeia produtiva para Minas Gerais, transformando o Alto Paranaíba em um celeiro de fábricas de tecnologia.
O desejo, segundo Duarte, é que os eventuais parceiros realizem todo o processo no País, da extração ao desenvolvimento de tecnologia. “Não podemos continuar vendendo apenas commodities. Nossos parceiros vão minerar e desenvolver tecnologia de ponta, agregando valor ao minério e comercializando soluções com tecnologia embarcada, o que nos coloca em outro patamar”, reforça Duarte.
O executivo ressalta ainda que o fosfato extraído ajudará a reduzir a dependência do País de fertilizantes importados, muito usados para repor nutrientes no solo e aumentar a produtividade da agricultura. “Estamos prontos para contribuir com 1 milhão de toneladas por ano de fosfato retirados do kamafugito”, salienta.
Além do potencial mineral, a localização estratégica também agrega valor ao ativo, distante a 4 quilômetros (km) da BR-365 e 80 km da linha férrea de Patrocínio. O terreno da Terra Brasil também não possui entraves ambientais e está localizado em uma área antropizada há mais de 50 anos.
Com o sucesso da operação e de parcerias, a expectativa é de maior circulação da economia local, bem como geração de empregos e formação de talentos. Além disso, é esperada uma redução significativa para produtores. “O projeto tem potencial de impulsionar a região do Alto Paranaíba, com produção consumida em um raio de até 250 km, reduzindo o custo de frete para o produtor, além da geração de riqueza local”, finaliza o executivo.
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