Fórum de Líderes debate futuro de Minas e reciclagem automotiva
O Fórum de Líderes, série de encontros e mesas-redondas com presidentes e lideranças que protagonizam a transformação do Estado rumo a um cenário de prosperidade real, acontece na tarde da próxima quinta-feira (20), na sede da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), na região Centro-Sul de Belo Horizonte.
O encontro, que tem o propósito de discutir de forma aprofundada os desafios e as oportunidades de Minas Gerais e do Brasil, faz parte da programação do projeto Parceiros do Futuro, liderado pelo Diário do Comércio. Nessa quarta edição do Fórum de Líderes, o objetivo é consolidar os principais desafios e metas estratégicas para Minas Gerais no horizonte 2040, propondo metas de longo prazo ligadas às cinco missões do Parceiros do Futuro:
- Minas Gerais como hub global de tecnologia e inovação
- Economia Verde, circular e transição energética
- Potência agroindustrial e agropecuária
- Estado desburocratizado e fortalecimento do ambiente de negócios
- Turismo, infraestrutura e valorização regional.
O diferencial deste fórum está em seu desdobramento institucional: o documento com as propostas validadas pelo grupo será apresentado formalmente aos pré-candidatos ao governo de Minas Gerais no início de setembro, garantindo que a visão das lideranças mineiras paute a agenda pública.
A entrega será feita em uma sabatina com os candidatos em parceria com o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Belo Horizonte (CodeseBH) e o Minas Tênis Clube. A programação será divulgada nos próximos dias.
Reciclagem automotiva coloca Minas na vanguarda de uma nova cadeia produtiva
Belo Horizonte tem a chance de atender os pilares do Parceiros do Futuro:
- Diversificação econômica, superação da dependência do extrativismo e agregação de valor a produtos, serviços e cadeias produtivas;
- Tecnologia verde e regeneração, com linhas de crédito especiais e produtos de alto valor agregado;
- Geração de riquezas de forma equilibrada, com o fomento à integração entre academia, setor produtivo, Governo e sociedade civil;
a partir da criação de uma nova cadeia produtiva: a de peças automotivas recicladas. Essa possibilidade está nascendo a partir do Centro Internacional de Reciclagem Automotiva (Cira), instalado, já há 16 anos, no Campus Nova Gameleira do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), na região Oeste.
De acordo com o idealizador do Cira, Daniel Castro, o projeto entra em uma nova fase com o apoio do governo do Japão.

“Esse é um projeto de bastante impacto não só para o Brasil, mas para o mundo inteiro. Estamos levando todo o conhecimento que temos no CIRA para o mercado de reciclagem de veículos no Brasil, em parceria com o governo japonês, com o objetivo principal de criar uma rede de centros de reciclagem de veículos de alto padrão tecnológico e com confiabilidade total em termos de segurança e rastreabilidade para comercializar peças usadas a nível mundial”, explica Castro.
A parceria prevê que o Japão disponibilize sistemas e plataformas de comércio eletrônico para exportação de peças. Essas peças serão comercializadas com um selo ambiental desenvolvido também com tecnologia brasileira, além do selo do Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) para garantir a rastreabilidade e segurança.
A expectativa é criar o primeiro arranjo produtivo local (APL) de peças automotivas recicladas do Brasil na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) nos próximos anos. O Cefet-MG será o responsável pelo treinamento dos desmanches cadastrados.
E, assim, a iniciativa atende diretamente duas das cinco missões descritas pelo Parceiros do Futuro:
- Minas Gerais como hub global de tecnologia e inovação;
- Economia Verde, circular e transição energética;
e responde de forma direta quatro Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), preconizados pela Organização das Nações Unidas (ONU), desde 2015.
- ODS 9: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
- ODS 11: Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
- ODS 12: Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis
- ODS 17: Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável
“É um produto inédito, uma peça usada, fruto da economia circular, ou seja, uma peça que, realmente, tem uma importância fundamental do ponto de vista da sustentabilidade. É uma peça usada, retirada de um veículo em fim de vida útil, que vai ter uma segunda vida ou uma terceira vida, com rastreabilidade e garantia de origem. Então, o consumidor final vai saber o impacto ambiental positivo que ela origina”.
O impacto econômico dessa nova cadeia produtiva não vem somente do reúso e reciclagem das peças automotivas, mas também da participação do setor no mercado de carbono global.
“O tema principal nesse projeto é o ambiental. Então, estamos levantando o tema dos impactos ambientais, de créditos de carbono, impactos energéticos que vão a ser avaliados e dentro desse contexto do trabalho com o Japão, nós vamos criar projetos de créditos de carbono específicos para o setor”, completa o professor.
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