Movimento Minas 2032

Eleições 2026: pré-candidatos ao governo de Minas divergem sobre futuro sustentável

Série do Diário do Comércio permite comparar como cada postulante ao Palácio Tiradentes pretende enfrentar os desafios do desenvolvimento sustentável em Minas
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Eleições 2026: pré-candidatos ao governo de Minas divergem sobre futuro sustentável
MM2032 apresenta um compilado de entrevistas em que os pré-candidatos apresentam suas visões sobre os ODS | Foto: Reprodução Adobe Stock / Marcio

A poucos meses das eleições, seis nomes disputam a preferência do eleitorado mineiro para o governo do Estado. Para ajudar quem vai às urnas a decidir com mais informação, o Diário do Comércio ouviu, um a um, todos os pré-candidatos que aparecem com intenção de voto nas pesquisas mais recentes, no podcast Eleições Minas 2026.

Participaram da série o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT); a professora aposentada Maria da Consolação (Psol); o criador de conteúdo e estreante na política Ben Mendes (Missão); o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB); o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares (PSB); e o atual governador Mateus Simões (PSD), que disputa a reeleição.

A todos foram feitas as mesmas perguntas, permitindo ao leitor comparar as propostas lado a lado e formar sua própria opinião sobre os desafios e as perspectivas para o Estado. O roteiro da série foi construído a partir dos eixos dos projetos Parceiros do Futuro e Movimento Minas 2032 (MM2032), ambos do Diário do Comércio, que reúnem empresários, representantes da academia e do setor público em torno do planejamento estratégico do Estado. Assim, além de perguntas sobre o plano de governo de cada candidato, a série trouxe também um bloco de questões voltado especificamente aos temas prioritários definidos por essas iniciativas.

Criado em 2017, o MM2032 parte da premissa de que todos os setores da sociedade precisam assumir suas responsabilidades na construção de um futuro mais sustentável, justo e igualitário, buscando soluções conjuntas para os problemas estruturantes do Estado. Capitaneado pelo Diário do Comércio em parceria com o Instituto Orior, o movimento articula reflexões e ações que promovam o desenvolvimento de Minas Gerais com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela ONU em 2015.

Os 17 ODS e suas 169 metas orientam governos, empresas e indivíduos rumo à erradicação da pobreza, à proteção do planeta e à garantia de prosperidade até 2030, abrangendo áreas como saúde, educação, igualdade de gênero e ação climática.
Neste painel, os candidatos responderam à seguinte pergunta, ligada diretamente aos ODS do MM2032: “Como esses Objetivos de Desenvolvimento Sustentável aparecem no seu plano de governo e como o(a) senhor(a) pretende articular o Executivo com os demais Poderes, inclusive no âmbito federal, a iniciativa privada e a sociedade civil, visto que a sustentabilidade só pode ser alcançada em rede?”

Confira a seguir o que pensam e propõem os pré-candidatos ao governo de Minas Gerais: um retrato para comparar, refletir e decidir não apenas o próximo ocupante do Palácio Tiradentes, mas os rumos do Estado nos próximos anos.
As entrevistas completas estão disponíveis no site e no canal do Diário do Comércio no YouTube.

Kalil diz que transição energética depende de decisões globais

Alexandre Kalil
Foto: Diário do Comércio

“Essa é uma discussão global e muito dicotômica: a guerra pelo petróleo é cada vez maior, enquanto a guerra pela energia limpa é cada vez menor. Há algumas semanas, o Brasil teve tanta energia limpa sobrando que foi preciso interromper transmissões. Não é um assunto estadual, é nacional e global. Os países mais desenvolvidos do mundo estão nessa disputa pelo combustível fóssil, e temas como esse vão chegar com naturalidade a Minas Gerais, mas antes precisam passar pelas grandes potências e pelo governo federal, para só então desaguarem, aos poucos, no Estado.”

Ben Mendes defende exploração mineral com contrapartidas ambientais

Ben Mendes
Foto: Diário do Comércio

“A sustentabilidade também significa conciliação: fazer a exploração necessária, mas de forma consciente e com contrapartidas, preservando o meio ambiente. E essa conciliação precisa acontecer em nível nacional, desvinculada de paixões. É fato que precisamos nos alimentar, e que a maioria de nós tem hoje um celular, um carro, uma casa, itens que dependem de minerais, como o aço ou os minerais críticos usados em baterias de celulares e carros elétricos. Entendemos, portanto, que a exploração é necessária. Mas, se ela for feita de forma irresponsável, pensando apenas em explorar, vai chegar um momento em que não haverá mais o que extrair, e entramos em colapso. Quando se pensa numa exploração inteligente, com contrapartidas (por exemplo, explorar parte do campo compensando com reflorestamento), cria-se uma economia cíclica. Por meio da ciência, da tecnologia, do desenvolvimento e da informação, é possível conciliar as metas de sustentabilidade da ONU com o governo de Minas Gerais.”

Gabriel Azevedo diz que sustentabilidade atrai investimentos para Minas

Gabriel Azevedo
Foto: Diário do Comércio

“Eu pretendo articular o Executivo com os demais Poderes, inclusive no âmbito federal, com a iniciativa privada e a sociedade civil, para garantir essa sustentabilidade e pensar na Minas do futuro. E pretendo fazer isso de um jeito muito concreto, porque esta é a bola da vez. Quando você fala de sustentabilidade, de menos produção de carbono, de mais inclusão produtiva verde, de uma economia que desenvolve o meio ambiente em vez de agredi-lo, isso abre portas no mundo inteiro, do rei do Reino Unido ao imperador do Japão. Quando você diz que quer seguir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável não só no discurso, mas também na prática, jorra crédito, jorra oportunidade. Você se insere na conversa do planeta, porque é sobre isso que o planeta está conversando. O papel de Minas tem que ser o de criar um modelo de mobilidade que não polua e não mate. Estou falando de veículos elétricos com inteligência, de ferrovias, de todas as formas de transportar pessoas e cargas de modo sustentável e inteligente. Estou falando de cuidar dos nossos rios, afluentes e bacias, do manejo de resíduos e da forma como produzimos energia elétrica. Tudo isso é um conjunto que precisa estar no centro do governo, porque toda ação que reflete em sustentabilidade é inteligente e garante um futuro muito melhor para o nosso povo.”

Jarbas Soares diz que sustentabilidade começa pela mudança de comportamento

Jarbas Soares
Foto: Diário do Comércio

“O consumo sustentável envolve muito a questão ambiental, inclusive o comportamento humano e a educação. Precisamos investir na juventude, nos adultos, nos idosos e na cultura. Isso é um processo civilizatório. Quem imaginava que fumar em ambiente fechado geraria tanta repulsa? Antes era até charmoso. O que mudou foi a nossa cabeça, o nosso comportamento. Por isso, temos que investir na reciclagem e no descarte correto do que produzimos. Ainda usamos o planeta como se fôssemos os últimos habitantes dele. Precisamos de um programa real de sustentabilidade, que envolva o tratamento da água, o cuidado e, principalmente, a cultura.

Se pegarmos uma pessoa nascida no Brasil hoje e a mandarmos morar na Noruega, ela vai se tornar uma cidadã sustentável. Se trouxermos um norueguês para o Brasil, ele vai se tornar um poluidor. Porque a nossa cultura é a do descarte e do desrespeito ao meio ambiente. A questão não é a pessoa, é a sua formação. Há um conjunto de coisas que o governo pode estimular, como dar as mãos ao Diário do Comércio nesse trabalho. Se for esse o destino, vamos trabalhar nisso.

Toda a minha vida no Ministério Público foi ligada à área ambiental, e disso tenho uma vivência enorme para trazer ao Executivo. O que não podemos é ficar fechados: temos que olhar o que está sendo feito em outros Estados e países. Temos um leque de oportunidades pela frente. Infelizmente, essas oportunidades passaram à frente de Minas Gerais nos últimos dez anos, e não evoluímos.”

Maria da Consolação defende Minas preparada para o envelhecimento da população

Maria da Consolação
Foto: Diário do Comércio

“Eu vou começar lembrando uma coisa: na Eco-92, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio, já dizíamos que, se continuasse daquele jeito, teríamos em 2030 uma crise climática gravíssima. Na época, algumas pessoas acharam que estávamos exagerando, que 2030 estava longe. Só que 2030 está batendo na porta. Trago esse exemplo porque é importante pensarmos numa perspectiva mais longa: o que fazemos hoje tem consequências lá na frente.

Para pensar Minas em 2032, também precisamos considerar a questão demográfica do Estado. Em 2050, o Brasil terá a maioria da população com mais de 65 anos, e Minas Gerais vai chegar nessa realidade já em 2033. Por isso, precisamos garantir os direitos de dois grupos que a economia tradicionalmente ignora: crianças e adolescentes, que ainda não estão na cadeia produtiva, e os idosos, que não estão mais. A lógica da produção diz que, se você não produz, não serve. Precisamos pensar Minas Gerais para além dessa lógica, garantindo que todos vivam com dignidade, independentemente da idade.

Isso passa, por exemplo, pelo transporte público: as cidades têm mais ônibus nos horários de trabalho, mas nos fins de semana, quando as pessoas precisam se locomover para encontros e lazer, falta transporte. Até o ônibus é pensado só na lógica da produção. Precisamos também de praças, espaços de convivência e ruas bem iluminadas, que garantam mais qualidade de vida. Deixo aqui o convite para pensarmos essa questão demográfica dentro do Movimento Minas 2032: um Estado que cuide também de quem está fora da lógica produtiva, mas que tem direitos a garantir.”

Mateus Simões vê nos ODS oportunidade para pequenos produtores

Mateus Simões
Foto: Diário do Comércio

Os ODS estabelecidos pela ONU podem ser vistos como foram vistos no início das discussões, como restrições. Ou podem ser vistos como uma oportunidade de vida melhor, de forma completa. Um azeite produzido em Maria da Fé por mulheres, numa lógica cooperativa, atende sozinho cerca de uma dúzia de ODS. Em vez de impor limitações, eles trazem benefícios para aquela comunidade: mais gente trabalhando, o produto vendido por um valor melhor, qualidade de vida para quem consome algo não industrializado e, para quem produz, uma oportunidade que não existiria fora daquele cenário.

Por isso, precisamos encarar os ODS como oportunidade, especialmente para os pequenos produtores. Eles podem parecer restrição quando pensamos em grandes conglomerados, que talvez precisem mudar sua forma de operar, e isso pode custar dinheiro. Mas, para o pequeno produtor, os ODS sempre vão significar oportunidade: vender melhor e entrar num mercado que antes o excluía. E acho que Minas está pronta para abraçar isso, como já vem fazendo no setor agroindustrial, com condições de repetir o movimento no setor comercial.

Já no setor da mineração, onde não existe operação de pequeno porte, os ODS precisam ser respeitados dentro de uma lógica de transição energética, olhando para um futuro verde em que Minas seja protagonista. Mas, em todo o resto, os ODS são uma forma de incluir os menores num cenário de prosperidade econômica. Acredito muito nisso, e é por isso que digo que Minas precisa assumir o compromisso de melhorar a renda média do mineiro, o que passa por uma economia mais sustentável tanto para quem consome quanto para quem produz.”

Rádio Itatiaia

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