Aluguel comercial dispara em 12 meses, enquanto venda de escritórios perde valor real, aponta FipeZap

Estudo FipeZAP mostra que a locação de imóveis comerciais supera a inflação, com valorização, e vendas sofrem desvalorização real
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Aluguel comercial dispara em 12 meses, enquanto venda de escritórios perde valor real, aponta FipeZap
Foto: Alessandro Carvalho / Arquivo / Diário do Comércio

O preço de locação de imóveis comerciais de até 200 metros quadrados (m²) subiu 11,26% no Brasil nos últimos 12 meses, bem acima da inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,44% e mais de quatro vezes a variação do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), de 2,76%, indexador tradicional dos contratos de locação.

No mesmo período, o preço médio de venda desses imóveis avançou apenas 2,05%, ficando abaixo da inflação e acumulando, na média nacional, desvalorização em termos reais. Os dados são do Índice FipeZAP Comercial de julho de 2026, divulgado nesta terça-feira (25), que aponta valor médio de R$ 8.792/m² para as unidades à venda e de R$ 53,68/m² para as destinadas à locação.

Todas as dez cidades acompanhadas pelo indicador registraram alta dos aluguéis nos últimos 12 meses. O Rio de Janeiro teve a maior valorização, de 21,34%, seguido por Salvador (18,86%), Curitiba (12,85%), Belo Horizonte (8,79%), São Paulo (7,82%) e Brasília (7,66%).

“Essas diferenças reforçam a importância de olhar para o mercado local antes de tomar uma decisão de compra, venda ou locação. Mais do que a média nacional, fatores como demanda, disponibilidade de imóveis e dinâmica econômica de cada cidade ajudam a determinar o comportamento dos preços”, diz a economista do Grupo OLX, Mariangela Silva.

O mesmo movimento não foi observado para os valores de venda. Em São Paulo, principal mercado da amostra, o preço médio anunciado para venda chegou a R$ 10.602 por metro quadrado em julho, alta de 1,94% em 12 meses. Enquanto isso, o aluguel médio foi de R$ 61,74 por metro quadrado, avanço de 7,82% no mesmo intervalo.

A diferença entre a evolução do preço de compra e a do aluguel elevou a rentabilidade projetada para quem compra uma sala ou conjunto comercial com o objetivo de obter renda. O chamado rental yield médio do segmento ficou em 7,59% ao ano em julho, acima dos 6,14% estimados para imóveis residenciais.

A rentabilidade, porém, ainda ficou abaixo da projetada para aplicações financeiras de renda fixa nos próximos 12 meses, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Segundo Mariangela Silva, o índice mostra que os preços pedidos para locação vêm apresentando uma valorização significativamente superior à registrada na venda.

“Uma possível leitura é que a locação oferece maior flexibilidade para empresas e empreendedores, especialmente em um cenário em que a compra exige maior comprometimento de capital. Alugar um espaço permite direcionar recursos para outras necessidades do negócio e também facilita eventuais mudanças de localização ou adequações do imóvel conforme a operação cresce ou se transforma”, diz.

“Por outro lado, é importante destacar que o Índice FipeZAP acompanha a variação dos preços anunciados e, sozinho, não permite afirmar que houve uma migração da compra para o aluguel”, afirma a economista.

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