Itatiaiuçu intensifica ações para diversificar a economia e reduzir dependência da mineração

Com programas de incentivo, qualificação e atração de empresas, o município mineiro busca novas fontes de renda e emprego
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Itatiaiuçu intensifica ações para diversificar a economia e reduzir dependência da mineração
O número de empresas em Itatiaiuçu registrou expansão de 79% entre 2022 e 2026 | Foto: Divulgação Prefeitura de Itatiauçu

A Prefeitura de Itatiaiuçu, na região Central de Minas, vem ampliando as políticas de desenvolvimento econômico com o objetivo de diversificar a base produtiva do município e reduzir a dependência da mineração. Entre as principais iniciativas estão programas de incentivo ao empreendedorismo, qualificação de mão de obra, atração de novos investimentos e disponibilização de áreas para instalação de novas empresas na cidade.

Segundo a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Rosiane Cunha, a mineração ainda responde por cerca de 80% da arrecadação municipal, o que mantém como principal desafio a criação de novas fontes de geração de emprego, renda e receitas.

“Hoje a gente ainda é bem dependente da mineração. A gente não conseguiu ainda atingir o nosso objetivo de se libertar da mineração, embora tenhamos feito diversos programas”, afirma.

Um dos indicadores apresentados pela administração municipal é a expansão do número de empresas. De 2022 a 2026, Itatiaiuçu passou de 980 para 1.757 empresas, considerando todos os portes, um crescimento de 79%. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, o avanço reflete as medidas adotadas para melhorar o ambiente de negócios, com predominância de pequenos empreendimentos.

Supermercado BH movimenta comércio

Entre os investimentos que já se concretizaram, destaca-se a chegada do Supermercados BH, que iniciou as operações em abril deste ano. Além da geração de mais de 120 postos de trabalho, a avaliação da prefeitura é de que o empreendimento ampliou o fluxo de consumidores.

A unidade, segundo Rosiane Cunha, passou a atrair consumidores também de cidades vizinhas como Rio Manso e Bonfim. Para a secretária, o efeito ultrapassa as compras realizadas no supermercado e alcança outros segmentos do comércio e de serviços.

“Não é simplesmente o comércio varejista. Ele movimentou toda a economia da cidade, porque às vezes a pessoa vem aqui, já vai no veterinário, já vai numa farmácia, já resolve tudo”, disse.

A prefeitura também trabalha atualmente na negociação de 11 empresas de médio e grande porte interessadas em se instalar no município. Os nomes não foram divulgados porque os processos ainda estão em andamento.

De acordo com a administração, os empreendimentos passam por critérios de avaliação antes de receberem incentivos ou apoio do município. Um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal pretende estabelecer parâmetros para esse processo.

Banco de áreas reúne 6,5 milhões de metros quadrados

Uma das ferramentas utilizadas para a atração de investimentos é o Banco de Áreas para o fomento de novos negócios. Atualmente, são 36 imóveis cadastrados, entre áreas públicas e privadas, que somam cerca de 6,5 milhões de metros quadrados.

A plataforma reúne informações sobre os terrenos e permite a aproximação entre proprietários e potenciais investidores. No caso das áreas públicas, a instalação de empresas depende de procedimentos de concessão.

Entre os espaços considerados estratégicos pela prefeitura está um terreno de aproximadamente 43 mil metros quadrados às margens da BR-381. A localização é apontada como uma vantagem competitiva para a atração de empreendimentos por estar próxima de Belo Horizonte e inserida em um dos principais corredores logísticos do País.

Juro Zero já beneficiou 16 empresas

Outra frente de atuação é o Programa Juro Zero, criado dentro do conjunto de políticas do programa Conecta. A iniciativa utiliza recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico para subsidiar os juros de financiamentos contratados por empresas já instaladas no município. Até o momento, 16 empresas foram beneficiadas. O fundo conta com R$ 1 milhão para a iniciativa.

Na prática, o empreendedor apresenta a proposta de financiamento, que passa pela instituição financeira e, posteriormente, pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico. Com a aprovação, a prefeitura assume 100% dos juros, enquanto o empresário paga o principal contratado. O financiamento pode ser parcelado em até 60 meses, com possibilidade de até seis meses de carência.

A iniciativa já foi utilizada, por exemplo, por uma produtora de laticínios que adquiriu máquinas para ampliar a atividade. Também beneficiou uma produtora de pães caseiros, que utilizou o programa para comprar um veículo destinado às entregas.

Sala do Empreendedor


A Sala do Empreendedor também integra a estratégia municipal. Mantida pela prefeitura, com apoio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), a estrutura presta serviços de formalização, regularização de atividades, orientação sobre oportunidades e capacitação.

O espaço também procura aproximar empresas locais de compras públicas. Quando há licitações para fornecimento de produtos, por exemplo, a equipe faz busca ativa entre fornecedores do município e auxilia os empreendedores interessados a participar dos processos.

A prefeitura também oferece consultorias gratuitas de gestão e treinamentos para os empresários. O trabalho foi reconhecido neste ano no Prêmio Sebrae Mulheres Empreendedoras. Uma empreendedora de Itatiaiuçu, que produz pães caseiros, conquistou o terceiro lugar na premiação, que recebeu mais de 1.350 inscrições de todo o Estado.

A empreendedora começou produzindo pães para vizinhos e, após a formalização do negócio, passou a fornecer para supermercados, conforme contou a secretária. Ela também utilizou o Juro Zero para adquirir o veículo de entrega.

Rede SIM registra 551 consultas

Outra medida voltada à melhoria do ambiente empresarial foi a implantação da Rede SIM, que busca facilitar a abertura e a regularização de empresas.

Desde a implementação, foram registradas 551 consultas de viabilidade, número que, segundo a secretária, demonstra o interesse de empreendedores em investir no município.

A administração também mantém o programa Bolsa Trabalho, que busca aproximar empresas e trabalhadores. As empresas disponibilizam as vagas e se comprometem a mantê-las por um ano, enquanto a prefeitura subsidia quatro meses de salário do trabalhador contratado.

Qualificação mira novas demandas

A qualificação profissional é outro eixo da política de desenvolvimento de Itatiaiuçu. O Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) já funciona no município há três anos com cursos técnicos de mecatrônica e eletrotécnica, nos períodos da tarde e da noite, e conta atualmente com 148 estudantes matriculados que colarão grau ao final do ano.

A prefeitura também está construindo uma sede própria para a instituição, com investimento estimado em R$ 1,6 milhão. A obra está em fase final, mas ainda depende da conclusão de procedimentos após a empresa responsável anteriormente pelo serviço ter deixado o projeto.

Além da formação técnica, o Sistema Nacional de Emprego (Sine), que passou a integrar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, vem promovendo feirões de emprego. A iniciativa já chegou à quarta edição e, segundo a prefeitura, tem atraído também empresas de municípios do entorno. Até o momento, 797 candidatos participaram dos feirões.

Mineração ainda dita ritmo da arrecadação

Apesar das medidas de diversificação, a mineração continua tendo forte influência sobre a economia municipal. Segundo a prefeitura, aproximadamente 80% da arrecadação ainda está relacionada à atividade mineral.

O cenário recente também trouxe impactos. A Mineração Usiminas (Musa), conforme relatado por Rosiane Cunha, registrou queda superior a 30% na produção, enquanto outras mineradoras reduziram o ritmo de suas operações. Parte dos investimentos previstos, contudo, está mantida, embora alguns cronogramas tenham sido retardados.

A secretária cita investimentos de aproximadamente R$ 14,5 milhões previstos pelas três empresas do setor, que seguem no radar apesar do momento menos favorável.

Para a administração, a manutenção das políticas de desenvolvimento econômico durante períodos de retração da mineração é justamente o que pode permitir que o município avance na diversificação.

“Mesmo nesse momento temporário difícil da mineração, o município está conseguindo manter essa estrutura básica do desenvolvimento econômico: qualificação, desenvolvimento financeiro, território e áreas. Isso é importante para buscar cada vez mais consolidar a meta de diversificar a economia do município”, afirmou.

Raio-X – Itatiaiuçu

Principais atividades econômicas: mineração, comércio e serviços
Arrecadação anual: R$ 359 milhões
PIB da cidade: R$ 2,4 bilhões
PIB per capita: R$ 187,7 mil
Número de habitantes: 14 mil
Estoque de empregos Caged: 58,5 mil empregos (jul)
1.660 admitidos (jan a jun)
1.613 desligados (jan a jun)
47 saldo (jan a jun)

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.


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