Usiminas paralisa planta em Itatiaiuçu, que responde por 35% da produção mineral da companhia

Mina Oeste e planta de Flotação seguem em funcionamento em Itatiaiuçu; suspensão está restrita à unidade de Samambaia
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Usiminas paralisa planta em Itatiaiuçu, que responde por 35% da produção mineral da companhia
Planta de Samambaia, em Itatiaiuçu | Foto: Divulgação/ Usiminas

A Usiminas paralisou temporariamente, a partir desta quarta-feira (2), as operações da planta de Samambaia, em Itatiaiuçu, na Região Central de Minas Gerais. A unidade integra a operação de mineração da companhia, e a medida faz parte de um conjunto de ações adotadas para adequar os custos da empresa ao atual cenário do mercado internacional, segundo a Usiminas. A medida também resultou em desligamentos, mas a companhia ainda não informou quantos trabalhadores foram afetados.

Segundo informações obtidas pelo Diário do Comércio, a Mina Oeste e a planta de Flotação permanecem em funcionamento em Itatiaiuçu. A suspensão das atividades, portanto, está restrita à unidade de Samambaia neste momento.

A decisão ocorre em um cenário de maior pressão sobre a atividade mineral, marcado pela queda dos preços do minério de ferro e pela forte elevação dos custos do frete marítimo. Segundo a empresa, esses fatores reduziram a viabilidade econômica de parte da produção nas condições atuais.

Desde o início do conflito no Oriente Médio, em fevereiro deste ano, o frete marítimo na rota Brasil-China passou de US$ 22 a US$ 23 por tonelada para picos de US$ 37 a US$ 38 por tonelada. Posteriormente, o valor se estabilizou entre US$ 35 e US$ 36 por tonelada.

O aumento do frete é de aproximadamente 55% a 65% em relação aos níveis anteriores ao conflito. Como o preço do minério de ferro não acompanhou esse movimento, a relação entre o custo do frete e o IODEX, índice de referência para o preço do minério de ferro, passou de um patamar histórico de cerca de 20% para aproximadamente 37%. Segundo a empresa, esse movimento reduziu significativamente suas margens.

Procurada, a Usiminas informou que está adotando medidas para adequar sua estrutura de custos à nova realidade da operação. Segundo a companhia, a suspensão é temporária, e a retomada das atividades dependerá das condições de mercado.

Planta de Samambaia representa 35% da produção mineral da Usiminas

A produção mineral da Usiminas é de cerca de 9 milhões de toneladas por ano. A planta de Samambaia representa aproximadamente 35% desse volume, ou seja, cerca de 3,15 milhões de toneladas por ano. Com isso, a suspensão das atividades atinge uma parcela relevante da produção da companhia.

A empresa ainda está consolidando os impactos da medida sobre o quadro de trabalhadores, incluindo empregados próprios e terceirizados. Também não há, neste momento, prazo definido para a retomada das operações em Samambaia.

A retomada das atividades deverá ser reavaliada caso haja melhora nas condições de mercado, seja pela recuperação dos preços do minério de ferro, seja pela redução dos custos do transporte marítimo.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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