Usiminas prevê quase R$ 1 bilhão em investimentos na unidade de Ipatinga em 2026
A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) planeja investir, neste ano, R$ 971 milhões na planta de Ipatinga, no Vale do Aço. Os recursos representam a maior parte dos investimentos previstos pela companhia para 2026, entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão, focados em melhoria de eficiência operacional e de desempenho ambiental.
Os aportes estimados para o complexo mineiro são destinados ao avanço de quatro projetos a serem finalizados até 2029, consumindo R$ 3,5 bilhões em capex. São eles: reparo a quente da bateria 3 da Coqueria 2; reconstrução parcial da bateria 4 da Coqueria 2; construção da nova planta de moagem e injeção de PCI; e construção do novo gasômetro.
No reparo a quente da bateria 3 da Coqueria 2, o grupo investirá, ao todo, R$ 978 milhões. O projeto, que já foi iniciado, tem conclusão prevista para abril de 2028. O objetivo é aumentar a vida útil do equipamento e o volume de produção de coque próprio.
Na reconstrução parcial da bateria 4 da Coqueria 2, os investimentos somarão R$ 1,7 bilhão. A obra começará em setembro deste ano, com estimativa de ser finalizada em janeiro de 2029. O projeto visa ampliar a capacidade produtiva de coque e gás de coqueria.
Em conversa com jornalistas em Ipatinga na quarta-feira (6), o presidente da Usiminas, Marcelo Chara, explicou que a Coqueria 2 possui duas baterias de 55 fornos cada. No caso da bateria 3, todos os fornos serão reparados, enquanto na bateria 4, a parte mecânica e elétrica será completamente reconstruída para que todos os fornos fiquem disponíveis.
Sobre a construção da nova planta de moagem e injeção de PCI, os aportes da companhia vão totalizar R$ 597 milhões. A obra já está praticamente concluída e o início da operação plena está programado para a primeira quinzena de junho. A finalidade é maximizar a injeção de PCI em substituição ao coque no alto-forno.
No que se refere ao novo gasômetro, a empresa vai investir R$ 249 milhões no total. Com conclusão estimada para maio de 2027, a obra já começou. O intuito é ter maior capacidade de armazenamento, compatível com a capacidade de recuperação/consumo de gás.
De acordo com Chara, quando os quatro projetos estiverem prontos, a Usiminas terá ganhado vantagens ambientais, de competitividade, de custos e de eficiência energética. “Isso significa uma mudança profunda no nosso sistema produtivo para assegurar a produção de aço líquido de forma competitiva e alinhada aos parâmetros ambientais que são necessários para este tipo de operação”, destacou o executivo.
Demanda interna
No encontro com a imprensa, além do plano de investimentos, o presidente da Usiminas falou sobre os resultados da companhia no primeiro trimestre, divulgados há duas semanas, os obstáculos ocasionados pela guerra no Oriente Médio, com aumento de custos, e os problemas enfrentados pela siderurgia com as importações de aço, sobretudo da China.
No que diz respeito ao grande volume de aço do exterior que tem entrado no Brasil, Chara afirmou esperar um arrefecimento dos números no segundo semestre em razão das medidas de defesa comercial implementadas pelo governo brasileiro recentemente. Segundo ele, a empresa tem plena capacidade de atender à demanda interna que espera surgir.
(*O repórter viajou a convite da Usiminas)
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