Pensando o Futuro

A crise do Estreito de Ormuz

A verdade é de que não há uma solução simples para um problema tão complexo

A recente alta do preço do petróleo mostrou que a dependência de todo o mundo dos combustíveis fósseis continua, apesar dos esforços das últimas décadas de uma transição energética.
Em 2008, o preço do barril do petróleo atingiu US$ 140, e fez com que os EUA começassem a desenvolver o gás de xisto e depois energia solar. A Europa seguiu na mesma linha das energias alternativas.

Isso fez com que o Ocidente dependesse menos do petróleo e em particular do oriundo do Golfo Pérsico. Os EUA viraram exportadores de combustível e a Europa passou a depender do gás e petróleo da Rússia.
Em 2025, tivemos a Guerra dos Doze Dias (13 a 24 de junho), onde o Irã não fechou o Estreito de Ormuz, pois isso implicaria em prejudicar principalmente a China, sua aliada, que depende fortemente do petróleo do Golfo.

Na crise deste ano, o Irã mudou de postura e decidiu limitar o trânsito de navios no estreito, levando o preço do Barril até quase US$ 120, e declarou que instituirá uma taxa de passagem.

A situação é tal que isso poderá ter diversos desdobramentos no futuro. O cenário-base é o de um petróleo permanentemente mais caro devido às restrições de uso do estreito, o que pode causar uma forte inflação global.

Como isso pode ser inaceitável para diversas nações, surgem cenários alternativos, tanto geopolíticos, quanto infraestruturais e tecnológicos.

Nos cenários geopolíticos, pode ocorrer a criação de uma zona de controle internacional, ou Codominium, onde nações (principalmente asiáticos) passam a dominar a região com uma força militar multinacional.

Essa situação pode envolver China, Japão, Índia, Coreia do Sul e Turquia. Uma variante desse cenário seria essa força envolver países europeus e os EUA. Este Codominium poderia ser similar à partilha da China no século XIX, ou à ocupação da Alemanha no século XX.

Outro cenário geopolítico seria a recriação do Baluquistão, e permitir que ele se estenda até controlar Ormuz. A dificuldade aqui seria se trocaria o controle de Ormuz do Irã por outra nação cujo governo poderia também mudar de posição.

A solução de infraestrutura seria muito mais demorada e envolveria a construção de oleodutos e gasodutos através da Arábia Saudita, e talvez indo até Jordânia, ou mesmo Israel e Egito.
Finalmente a solução tecnológica seria desenvolver alternativas, tais como fusão nuclear ou energia solar baseada no espaço (SBSP – Space Based Solar power). Ambas também seriam demoradas.

A conclusão é de que não existe uma solução simples para um problema complexo. Isto implica que o preço do petróleo deve continuar alto por pelo menos alguns meses mais, talvez por muitos anos.

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