Frutos da vontade

Continente americano deveria apostar em cooperação, liberdade e interesses compartilhados e não na força
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Frutos da vontade
Foto: Reprodução Adobe Stock

Muito provavelmente será possível afirmar que eram boas, além de apropriadas, as ideias do presidente James Monroe, dos Estados Unidos, quando em dezembro de 1823 deu a conhecer aquilo que passou a ser conhecido como Doutrina Monroe. O colonialismo na sua pior face ainda estava presente, para muitos países, Estados Unidos inclusive, a independência era fato ainda bastante recente, sendo necessário dizer aos europeus que o mundo estava mudando, que deixassem as américas em paz, na busca de um equilíbrio que deveria moldar o mundo. Muito propriamente, um movimento que passou à história traduzindo a ideia da América para os americanos. Livre do colonialismo, livre das potências europeias que ainda se imaginavam senhoras do mundo, especialmente Grã-Bretanha, Espanha, Portugal e França. E nada que pudesse ou devesse ser associado, com o mesmo viés aos países vizinhos no Continente americano. Investidas colonialistas, principalmente contra o México que perdeu boa parte de seu território, vieram bem mais tarde e num outro contexto.

Assunto que direta e indiretamente voltou à baila mais recentemente e por conta dos excessos do presidente Donald Trump, que não tem medido palavras para ameaçar vizinhos como Canadá, México e Colômbia, além da Venezuela palco de inusitada e mal disfarçada ocupação. Na visão de Washington, tudo lembrando a Doutrina Monroe, porém com um viés equivocado e alimentado pela crença de que, mais que interesses, o país teria “direitos” a reclamar no Continente. Ou um “destino manifesto” sobre a região, permitindo e justificando avanços mencionados já em 1872.

Uma história que poderia estar sendo escrita em termos bem diferentes e com resultados que seriam certamente melhores. Para que pudessem ser construídas, como talvez tenha imaginado o presidente Monroe, alianças verdadeiras, fundadas na cooperação e bem intencionadas. O progresso comum e resultados compartilhados com equilíbrio, potencializando diferenciais de cada país, tudo para o fortalecimento e prosperidade de todos. Nas circunstâncias que se apresentam, algo utópico, portanto, fora da realidade, mas resultados que bem podem estar ao alcance da vontade. E do bom senso com toda certeza. Para então fazer das américas, sim, um novo eixo do desenvolvimento social e econômico global, um bloco que reuniria vantagens competitivas sem igual quando comparado à Europa e Asia.

Tudo isso como fruto da vontade, da inteligência e, antes, da liberdade, da livre escolha, produzindo resultados que a força bruta, e ao contrário do que uns poucos ainda acreditam, nunca alcançou, jamais alcançará.

Sobre o autor

Diário do Comércio

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas